07/06/2010

Comentários do novo século XXI.

Desde os mais antigos registros da história, o homem sempre busca respostas sobre a sua própria existência. Até hoje nunca foi encontrado registro de civilizações que de certa forma não apresentava uma religião, cultos, oferendas, etc. Com o decorrer da evolução das idéias somado as transformações do pensamento humano, a sociedade chegou a uma verdadeira incógnita quando o objetivo é quantificar o nível de conhecimento humano sobre o mundo em que vivemos. O desenvolvimento do mundo tecnológico juntamente com o grande número de descobertas e avanços dos últimos séculos, permitiu atingir um nível realmente exponencial em transmissão de informações.

Há 20 anos era impossível prever o que podemos prever hoje, isto é: o maior avanço tecnológico da história. Estima-se que a quantidade de nova informação gerada este ano é maior do que a acumulada nos últimos 5.000 anos. Se observarmos bem o dia-a-dia das pessoas que vivem nas cidades, a maioria das pessoas não guarda mais suas idéias e opiniões apenas na cabeça, porque estamos em uma era onde existem diversas formas de compartilhar o que pensamos.

É de extrema importância destacar que é literalmente impossível brecar o mundo atual. Ao contrário do que já aconteceu na história, não será uma revolução ou um desejo de mudança que destruirá o capitalismo e seu desenvolvimento contínuo. Creio que não seja exagero afirmar que apenas o fim dos tempos colocará o ponto final a esta evolução. É fato desde tempos remotos que a riqueza do mundo é mal distribuída, mas porque será que tanto avanço tecnológico é proporcional ao tamanho da pobreza mundial? Como é possível uma sociedade que produz mais comida do que a sua população precisa e, no entanto existem tantas pessoas com fome? São perguntas que desde a era A.G.(antes Google) não temos a resposta.

Informática, comunidades sociais, dinheiro, nanotecnologia, robótica, computadores quânticos, inglês como idioma universal; a população cresce e o espaço é o mesmo; precisa-se cada vez mais de estudantes para ocupar profissões que ainda não existem e que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas, para resolver problemas que ainda não foram encontrados; um mundo cada vez mais específico; ricos mais ricos, pobres mais pobres; criamos tantas coisas, exploramos tantas pessoas, esquecemos o que não nos interessa; e por mais sarcástico que pareça: estamos cada vez próximos das mais antigas civilizações... Não compreendemos nossa própria existência.

29/09/2009

Sobre a lei Antifumo

A lei Antifumo, para quem não sabe, foi uma medida criada pelo governador de São Paulo, José Serra, que, em suma, se baseia na proibição de cigarros em ambientes públicos fechados. Cada vez mais polemiza-se tal lei devido à tendência que a mesma tem de ser adotada em diversas outras capitais ou cidades brasileiras, o que, para grande parte dos fumantes, tem sido uma grande dor de cabeça, acompanhada de uma profunda insatisfação e acusações de supressão à liberdade individual. Mas será que esse argumento procede? Ou será que dessa vez o governo é detentor da razão?
É obvio que nenhum ser humano possui um argumento cem por cento correto, até mesmo porque o próprio certo é relativo. Mas compartilharei aqui o meu.
O argumento de que a lei Antifumo fere a liberdade individual dos fumantes realmente procede por vetá-los de fumar em certas circunstâncias. Porém, conserva, aliás, faz surgir, a liberdade do não-fumante. Pois até então não tínhamos a liberdade de escolher se queríamos ou não compartilhar da fumaça exalada pelo fumante, digo, de uma forma ou de outra, independentemente de nossa vontade, tornávamos fumantes. Passivos. Então, a liberdade ou a falta dela, torna-se um argumento completamente inválido para esta discussão. Pois a liberdade de um resulta na falta de liberdade do outro e vice-versa. Jamais se acorda.
Um argumento usado por parte do governo foi a de garantir a saúde pública, o que de fato é uma verdade. Os fumantes passivos (aqueles que convivem diretamente com a fumaça do cigarro, mesmo sem fumar) têm um risco de 24% maior de morrer por doença cardíaca ou 30% maior de morrer de câncer de pulmão, do que quem não está exposto diariamente à fumaça dos cigarros. Ademais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabaco mata 5,4 milhões de usuários por ano e o uso de tais produtos está aumentando globalmente. O que, inevitavelmente, provoca o aumento do número de fumantes passivos e, consequentemente, um maior número de doentes (ou mortos) por cigarro.
Enfim, a lei Antifumo foi criada embasada na proteção aos não-fumantes que se veem cada vez mais arriscados pelo convívio “forçado” com fumantes em atividade. A medida foi sim, ao meu ver, uma grande proposta do governador de São Paulo e deve sim servir de modelo para o restante do país. Fumantes ainda são a minoria e devem ter a consciência de que não é justo colocar a saúde do outro em risco apenas para atender a seus vícios momentâneos. Não estão sendo vetados do fumo, apenas deste em lugares fechados, nos quais não há uma eficiente circulação da fumaça.

07/05/2009

ENTREVISTA ARTHUR TADEU CURADO

ARTHUR TADEU CURADO:
UM ATOR QUE DIRIGE, ESCREVE. AH, CLARO, TAMBÉM ATUA.

A internet surge como um divisor de águas, inclusive no âmbito jornalístico. Recebi a sugestão de Patrícia Marjorie para entrevistar Arthur Tadeu Curado, por uma mensagem no Twitter, rede social que interliga os pensamentos e ações dos integrados à rede. Logo então, marquei a entrevista, de forma simples e rápida: por e-mail. Combinamos de nos falar às 16h, quando ele já estivesse no Casa D’Itália, na 208 Sul, em Brasília. No horário marcado, a ligação aconteceu. Com disponibilidade e prontidão, Arthur Tadeu Curado, 27, diretor de teatro, ator e dramaturgo, me atendeu e falou sobre sua vida, suas peças e sobre os anseios e vontades metidos no meio disso tudo. Mostrou ser um profissional dinâmico e, além de tudo, determinado. Atualmente mora em Brasília, mas já morou na Nova Zelândia e no Rio de Janeiro e, antes do teatro, estudou por um tempo Comunicação Social. Conheça o que foi possível descobrir de Arthur Tadeu Curado nos 28 minutos de entrevista concedidos por telefone na tarde de quarta-feira, dia 6 de maio de 2009.


Por Lucas Soares

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Foto por Raphael Herzog

Onde foi que você nasceu?
ARTHUR CURADO: Nasci em Brasília, mas aos 17 anos fiz intercâmbio, indo para a Nova Zelândia. Voltei para o Brasil, fui morar no Rio de Janeiro e somente cinco anos depois de estar fora de casa voltei para Brasília.

Você se graduou pela Casa das Artes de Laranjeiras – CAL, no Rio de Janeiro. O que te fez deixar Brasília para estudar teatro fora?
ARTHUR CURADO: Eu estava num momento da minha vida, querendo experimentar outras coisas. Ainda era moleque, tinha 19 anos. O intercâmbio foi uma experiência muito intensa. Quando voltei tive um pouco de dificuldade para me adaptar à minha casa e à cidade de Brasília. Eu tinha sido aprovado no vestibular da Universidade de Brasília (UnB), para o curso de Comunicação Social. Mas, mudei de ideia, queria outra atividade. Decidi fazer teatro e fui em busca da melhor escola do país: fui para o Rio de Janeiro.

Você já dirigiu, atuou e escreveu dez peças teatrais diferentes. Como você se enxerga perante o mercado teatral hoje em dia? Que tipo de profissional você acha que seu perfil se encaixaria?
ARTHUR CURADO: Tem gente que me chama de multimídia. Eu sou um ator. Minha formação é em Artes Cênicas. Então costumo dizer que me considero um ator; um ator que dirige, um ator que escreve, mas um ator.

A partir de suas experiências, qual a maior dificuldade enfrentada pelo teatro nacional hoje? Em Brasília isso é diferente?
ARTHUR CURADO: O teatro é muito suscetível às crises econômicas. Eu perdi vários patrocínios da minha nova peça por causa da crise mundial atual. Sempre que acontece algo do gênero, a primeira coisa que as pessoas cortam é o lazer – e eu entendo. Por mais que tentemos fazer um espetáculo mais barato, o lazer é sempre deixado de lado. Ficamos na corda bamba sempre que o país entra em recessão. Em Brasília, apesar do atraso no incentivo, o patrocínio, ligado ao trabalho de qualidade, acontece de forma mais fácil. Não que seja mais fácil, mas se torna mais fácil. E tem o público. Você cativa o público e a partir de então tudo o que você faz esse público vai assistir. Assistem por ser você que está fazendo, por te conhecerem.

O texto de Dois de Paus foi selecionado pelo Projeto Palco Giratório Brasil, sendo o único selecionado em âmbito brasiliense. Como foi a experiência? Você acha que a temática da peça influenciou em alguma parte da decisão?
ARTHUR CURADO: Acho que a temática influenciou. A temática, o sucesso. Nunca na história do Projeto Palco Giratório aconteceu de uma peça ter sessão dupla como ocorrido com Dois de Paus. E isso se deu devido ao espetáculo, à maneira de condução da peça. Mais de 40.000 pessoas assistiram ao nosso trabalho. Ter transformado a peça em romance, cinema, conhecer o país [a turnê passou por 40 cidades] e poder mostrar meu trabalho foi muito gratificante.

Você viajou por 40 cidades brasileiras apresentando Dois de Paus. Em alguma dessas cidades você ou Sérgio Sartório, parceiro em cena, enfrentaram algum tipo de preconceito pelo texto da peça? Como era a reação das pessoas ao espetáculo?
ARTHUR CURADO: Na verdade não, não enfrentamos problemas com preconceito. A gente teve, em algumas cidades, um certo incômodo da plateia, ao ver uma relação homoafetiva ser tratada de maneira tão normal. Como a gente era a única opção de cultura de algumas cidades de interior, por exemplo, as pessoas iam assistir à peça sem saber do que se tratava, sem nunca ter lido nada sobre, sem entender o trocadilho simples do título do espetáculo. A gente não teve problemas, mas sim uma estranheza, porque, querendo ou não, a história é muito urbana, trata de relacionamento que se inicia no meio virtual, com um linguajar de cidade grande.

O homossexualismo é um tema forte, mesmo neste suposto mundo cosmopolitano que vivemos. Qual a sua visão perante o assunto e a importância em discuti-lo?
ARTHUR CURADO: Na realidade eu acho que o assunto deve ser tratado de forma simples e sem tabus. Eu acho que é importante discutir todos os temas, quebrar preconceitos. É sempre válido. Muita gente veio falar depois da peça que nós os ajudamos a encarar a realidade de forma diferente. Ouvi depoimentos de mães dizendo compreender melhor os filhos depois que assistiram ao espetáculo. Muitos gays comentaram que, depois da peça, passaram a expressar seus sentimentos em público, sem o receio de antes. A peça nunca teve a intenção ou pretensão de quebrar barreiras. Mas, conseguimos. E isso é bom.

Como surgiu a ideia de escrever Dois de Paus?
ARTHUR CURADO: Em 2004, quando escrevi, passei por um exercício dado em sala de aula por uma professora. Precisávamos escrever uma história de amor sobre um casal. Escrevi. Era um homem e uma mulher, A e B. Nem nomes eu tinha dado. Quando chegamos em sala para discussão dos textos, concordamos que minha história poderia girar em torno de um casal homoafetivo. E então a ideia foi colocada em prática, gerando o texto da peça.

Vocês fizeram Dois Perdidos (2003), com texto inspirado em texto de Plínio Marcos e direção de Rachel Mendes. O que você achou da adaptação para o cinema feita pelo diretor José Joffily, com Débora Falabella e Roberto Bomtempo interpretando Paco e Tonho?
ARTHUR CURADO: O filme foi lançado na mesma época que estávamos viajando em turnê com a peça. O diretor do filme pediu para que a gente participasse de um debate, na época, sobre o filme, mas negamos. Ainda estávamos em cartaz com a peça e não queríamos assistir ao filme para não recebermos nenhuma influência. Depois de um tempo assisti. O filme faz uma boa adaptação do texto teatral para o cinema. Os principais pontos da peça estão lá. Transpor uma coisa em diálogos para um roteiro de cinema é uma viagem totalmente diferente. Eu achei muito bom, principalmente o roteiro.

Qual a relação que você enxerga entre as trilhas sonoras e os espetáculos que você se vê envolvido?
ARTHUR CURADO: Eu escolho a trilha. Quando escrevo o texto, já escrevo com a sugestão da música. Não que o diretor precise cumprir, mas eu já escolho antes. Eu penso a cena com uma música. Sou muito musical. Eu só amadureço as ideias durante o processo de ensaio. Eu tive dificuldade com o “Complexo de Cinderela” e com “História Redonda Sobre o Nada” [agora sendo montado em Buenos Aires]. Acho que a música é um ótimo condutor. Coloco sempre os atores para ouvirem à trilha da peça, os coloco no clima da produção para terem as sensações. Mas, eu uso pouca música, uso-as pontualmente. É trabalhoso, mas divertido de escolher.

O que você já pensou em fazer no palco que não deu certo? Existiu algum momento em sua carreira onde você decidiu jogar tudo pro ar?
ARTHUR CURADO: Não, agora não, teve uma situação antes de começar a vida profissional. Comecei a fazer teatro aos 7, 8 anos. Aos 15 fiz amador. Foram experiências legais. Quando fiz meu intercâmbio, me vi envolvido com publicidade e ao mesmo tempo teatro. Desisti da publicidade. Quando comecei mesmo como profissional, que considero ter sido aos 22 com “Dois Perdidos”, não tenho nenhum momento onde tenha jogado tudo pro alto. Tive erros sim, erros dramatúrgicos, erros de escolha de atores, de cenários. Mas coisas que fui aprendendo ao refazer. Como sou eu quem escreve normalmente os projetos que estou envolvido, então tenho a sorte de poder consertar, modificando o que não ficou bom.

Patrícia Marjorie, uma das atrizes de sua peça, já participou de outras montagens teatrais que você esteve envolvido. Como é trabalhar com pessoas que estão ou já estiveram ligadas ao seu trabalho?
ARTHUR CURADO: É ótimo. No teatro a gente precisa de parceiros sempre. E eu já encontrei bons parceiros. O Sérgio [Sartório], a Andréa Alfaia, que escreveu meu monólogo, e a Patrícia Marjorie, que é minha atual parceira. Ela tem sido minha assistente de direção, coordenado a produção, parceira de cenas. Gosto muito de trabalhar em duplas. Nossa equipe tem 28 pessoas trabalhando pro espetáculo funcionar. A Patrícia é uma atriz que se formou na UnB e não tínhamos trabalhado juntos. Concorremos aos mesmos prêmios, inclusive ao Palco Giratório Brasil. Mas, nos reencontramos e temos feito quase tudo juntos ultimamente.

Em recente entrevista [à Thales Sabino], você declarou que “Deveriam existir menos atores despreparados”. Em sua nova peça você está dirigindo duas atrizes que carregam grandes trabalhos e tempo de carreira. Como você encara isso?
ARTHUR CURADO: Eu acho ótimo trabalhar com gente que já tem história, que já tem prêmios nas costas, que já fez espetáculos ótimos. Mas existem muitos atores despreparados e isso acaba assustando a plateia e queimando a classe inteira. Então, minha declaração se trata disso. Os atores devem estudar, devem ter experiência para trabalhar mais e não pagar mico no palco. Não é uma crítica aos atores em geral. Os atores novos da nova montagem de “Dois de Paus” que estou fazendo são jovens, 20, 21 anos. Mas têm história. Já carregam uma bagagem, são estudados. Claro que aos 21 você não tem condições de ser o melhor ator do mundo, mas a experiência com eles está sendo bem legal. Eles mostram muita vontade de fazer o espetáculo – que estreia dia 8 de Agosto.

Qual a maior dificuldade que você encontrou com a nova montagem de “Complexo de Cinderela”, que estreia no dia 8, em Brasília? Qual sua maior expectativa?
ARTHUR CURADO: A maior dificuldade é que eu finalmente superei o complexo. As pessoas perguntam por que mudo tanto as coisas, os cenários, a trilha, os atores, a iluminação. Eu estava amadurecendo a ideia, do amor idealizado. Fui crescendo, fui criando um entendimento maior sobre o tema, e agora eu brinco que eu superei. Eu brinco que só preciso achar o meio de campo, para poder estender o assunto a todo mundo, defendendo as pessoas através destas duas personagens [da peça]. Como eu superei o assunto, esta deve ser a última versão da peça e quero que dure seis anos, com a mesma formulação que estrearemos sexta. Sempre riem muito do espetáculo, e saem muito tocados ao mesmo tempo. Quero comunicar com as pessoas.

Qual o tipo de público que você pretende atingir com o novo espetáculo?
ARTHUR CURADO: Eu sempre me surpreendo. Sempre aparece gente de todo tipo. As mulheres, claro, se identificam mais, porque damos uma sacaneada nos homens.

Muita gente resume o teatro brasileiro em Nelson Rodrigues. Quando muito, fala-se de Stand-Up Comedies, em alta no Brasil e peças sem vigor artístico, dramático. Quais os nomes do cenário teatral brasileiro que, pra você, foram e são importantes?
ARTHUR CURADO: Não vou citar os antigões, por serem óbvios, mas, no início da minha carreira eu fiz Nelson. Já está datado. Em Brasília temos Adriano e Fernando Guimarães, com conhecimento e reconhecimento nacional e internacional e um trabalho estético interessante. A Fernanda Young, uma das melhores pessoas do teatro, apesar de bem recente ter estreado como atriz, é coisa boa para ser vista. João Falcão é um bom diretor, que me atrai muito teatralmente. Adriana Falcão escreve bem. Felipe Hirch, da Sutil Companhia, possui grandes métodos de adaptação de obras para o teatro. Mário Bortolotto, de Londrina, mas que mora em São Paulo, da Companhia Cemitério de Automóveis, vale a pena ser visto sempre.

E no cinema brasileiro, quais nomes valem à pena serem citados? No internacional, preferências?
ARTHUR CURADO: No [cinema] brasileiro eu tenho atrizes prediletas, como a Fernanda Torres: assisto tudo que ela faz. Respeito muito José Eduardo Belmonte, porque escreve muito bem. Gosto de seus filmes, da maneira que faz. É meu cineasta brasileiro preferido. Gosto de muita coisa, como os clássicos [Pedro] Almodóvar, Woody Allen, Gus Van Sant [em âmbito internacional].

Um livro de cabeceira atual?
ARTHUR CURADO: Eu tenho lido “Cartas Para Alguém Bem Perto”, da Fernanda Young. Não é nem o último dela, mas é o que eu estou lendo.

Último filme visto no cinema?
ARTHUR CURADO: A última coisa que assisti no cinema foi Divã, com a Lilia Cabral. Ela é sensacional, assisto gratuitamente. Já tinha assistido à peça, gostei.

Contato:
Arthur Tadeu Curado - arthurtadeucurado@gmail.com
Site da peça "Complexo de Cinderela" - site da peça

05/05/2009

MATÉRIA SOBRE O TWITTER

TWITTER: O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? PENSANDO? QUERENDO? TRAMANDO? ODIANDO? ASSISTINDO? AMANDO?

 

Entenda o que há por trás da “twittosfera” e saiba como os twitters brasileiros utilizam o serviço, disponível na internet desde 2006.

 

Por Lucas Soares

 

O Twitter é um sistema de microblog que surgiu em meados do ano de 2006, criado por Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams. A ideia inicial do site era bem simples: seus usuários deveriam responder à questão “O que você está fazendo?”, informando assim seus “seguidores”. Mas hoje, três anos depois, as coisas funcionam de uma forma ligeiramente diferente.

 

O sistema de microblog é uma forma de se expressar pela internet com uma limitação de caracteres. “Essa limitação de caracteres faz com que o usuário busque na criatividade a melhor forma de expressar o que está querendo passar em sua mensagem”, informa Williams, um dos criadores do Twitter, em entrevista ao The New York Times. A limitação de cada mensagem no Twitter é de 140 caracteres por tweet, nome dado a cada postagem no site. E cada um desses tweets traz em sua essência um tipo de mensagem.

 

Os conteúdos dos tweets que os usuários do Twitter enviam são variados. Cada mensagem dessas pode ser um desabafo, ou a divulgação de algum produto ou serviço, ou ainda uma frase interessante, um link com conteúdo, dentre outras milhares de possibilidades, dentre elas, claro, a simples resposta à questão original do sistema. O paulista João Godoy (jaumgodoy), 26, vlogueiro e usuário do Twitter há cinco meses, comenta que vê o site como “sua voz” na web. “Não conta apenas quem você é, mas sim o que você diz e pensa. É um grande mural”, completa ele.

 

Seguindo pessoas

Muitos dos usuários do Twitter não sabem responder à seguinte pergunta: “Qual a utilidade do Twitter?”. Alguns se perdem na explicação ou então comparam o site a sites de relacionamento como o Orkut e o MySpace. E não é bem assim. É uma rede social, porém o objetivo é diferente. “Dentre as redes sociais, acho o Twitter a mais útil e diferente porque ele é basicamente um ponto de troca de informações. O fato de você poder escolher que conteúdo receber e quem recebe o que você envia, faz do Twitter uma ferramenta mais prática e seletiva do que o Orkut ou o Myspace”, conta Igor Appolinário (garotobipolar), 24, de São Paulo, formando em Biologia.

 

No Twitter você não adiciona pessoas e sim as “segue”. Quanto mais gente você segue, mais mensagens na sua página inicial você recebe e mais possibilidade de contatos. Talles Henrique Lima (tallesh), 22, estudante de Letras/Inglês pela Universidade Federal de Goiás, comenta a correlação que enxerga entre o site e seu curso. “[o Twitter] pode me servir de material de pesquisa para análise textual, análise do discurso e pesquisas voltadas para a área da linguística. Poderia, por exemplo, fazer um trabalho de pesquisa voltado para o "internetês", para os estrangeirismos e o porquê de muitos usuários mixarem português com inglês em seus tweets, e por aí vai”.


O poder viral do Twitter

Desde que o Twitter passou a ser utilizado por um número maior de usuários, percebeu-se que o site tem um poder viral muito grande. Desde a Campanha Presidencial do então presidente norte-americano Barack Obama, os administradores do Twitter têm tido problemas com a situação de hospedagem do serviço e já tiveram várias reuniões sobre o fechamento do site - todas negativas até então. Susan Boyle, 47, talento britânico descoberto pelo Britain’s Got Talent, uma espécie de American Idol da Inglaterra, virou sensação entre os twitters do mundo inteiro. Desde a apresentação da escocesa, no último 12 de abril, até o presente momento, foram mais de 450.000 menções a ela em tweets, segundo dados informados pelo site de estatísticas do próprio serviço de microblog.

 

Alisson Xavier (aaallisson), 21, brasileiro que reside em Nova York desde os 12 e trabalha na Apple Store, agradece a este poder viral do Twitter. “Eu fui a um show aqui em Manhattan e meus amigos não conseguiram ingresso. Cheguei lá, twittei que estava no show e logo arrumei amigos novos”, comenta. Alisson ainda fala sobre a campanha que o ator Ashton Kutcher (aplusk) e Oprah Winfrey (oprah), apresentadora de programa homônimo, lançaram nos Estados Unidos. Os astros falaram sobre suas contas no Twitter num programa da apresentadora e Ashton, dono do Twitter mais seguido da “twittosfera”, doou U$100 mil dólares para o combate à malária, divulgando também a causa em sua página.

 

A estudante paulista Juliana Ambrosio (juh1988), 20, acredita que “no Twitter as pessoas estão interessadas na vida alheia mesmo”. Juliana complementa dizendo não gostar do sensacionalismo [que algumas celebridades fazem]. “O Twitter é legal, mas é falho ao mesmo tempo. É cheio de bugs e quando você precisa de assistência, ninguém da staff te ajudará”, justifica ela revoltada. Raquel Sacheto (rsacheto), 39, professora universitária em Brasília, afirma que “[o Twitter] pode ser muito rico e interessante se a pessoa souber garimpar informações e usuários.”

 

O Twitter vem abrindo grandes discussões na mídia e ganhando espaço na imprensa nacional e internacional. Ganhou uma capa da revista Época (mar/2009), reportagem especial feita pelo Fantástico (abril/2009) e um grande espaço no caderno de Informática do Correio Braziliense (abril/2009). Outros jornais impressos brasileiros como a Folha, O Globo e o Estadão também já fizeram várias menções ao serviço de microblog. Jornais como The New York Time e Washington Post também cederam espaço para divulgação do Twitter em âmbito internacional.

 

 

TWEETS FAMOSOS: A POPULARIZAÇÃO DO TWITTER NAS MÃOS DAS PERSONALIDADES

A popularização do Twitter atraiu os olhos de algumas celebridades. Muitas delas, oficialmente, utilizam o serviço de microblog. Ashton Kutcher, 31, e sua esposa, Demi Moore, 44, já foram alvo da imprensa por causa do site. Ashton publica em sua página desde fotos da intimidade do casal até vídeos que julga interessantes. Já Demi é mais reservada, usando o Twitter somente para comunicação com os fãs e amigos. Um dos ícones da música pop mais conhecidos, Britney Spears, 27, também tem seu perfil no site, mas não é atualizado por ela e sim por uma equipe responsável. O mesmo acontece com a página do presidente norte-americano Barack Obama.

 

A apresentadora Oprah Winfrey, 55, precursora de uma das vertentes de popularização do Twitter nos Estados Unidos, fez recentemente um programa especial sobre o site. Alisson Xavier, morador de Nova York, declara: “Fiquei emocionado pela apresentadora dar importância ao tema, mas ao mesmo tempo assustado quando minha mãe perguntou se eu poderia fazer uma conta para ela, porque a Oprah estava usando”.

 

Lily Allen, 24, cantora inglesa, também se comunica com seus fãs através do site de microblog e recentemente fez uma espécie de caça ao tesouro em sua página. Seus fãs tinham o dever de procurar ingressos de shows que estavam escondidos pela cidade de San Diego. Para isso, twittava com pistas e respondia aos fãs com dicas e comentários. A cantora se divertiu muito, como disse em seus tweets seguintes à brincadeira.

 

A professora universitária Raquel Sacheto diz que não vê problemas na utilização do serviço por personalidades, mas se sente um pouco irritada. “As postagens deles passam a impressão de que não são de sua autoria e isso, essa pseudo-realidade, me irrita um pouco”, conta.

 

No Brasil, o Twitter também já faz parte da rotina de alguns nomes famosos. A atriz e cantora Marisa Orth, 45, twitta sempre que pode, sendo simpática e atenciosa com seus fãs e “seguidores”. Outro nome brasileiro é Rodrigo Scarpa, 28, o “Repórter Vesgo”, sempre atualizando seu perfil com piadas e acontecimentos de seu dia a dia. Rafael Bastos, Marco Luque, Marcelos Tas, Felipe Andreoli e Danilo Gentilli, todos integrantes do Custe O Que Custar, possuem contas e fazem “tweets” diários.

 

O FRENESI DA TWITTERMANIA: SITES, SERVIÇOS E APLICATIVOS PARA SE USAR EM CONJUNTO COM O SERVIÇO DE MICROBLOG

Como tudo que faz sucesso no mundo, o Twitter tem seus vários agregados de serviços oferecidos para serem utilizados em conjunto com o site. Um dos sites mais utilizados pelos twitters é o TwitPic.com, serviço que oferece ao usuário cadastrado no Twitter a possibilidade de hospedagem de imagens para postagem direta no site. Outro serviço que faz sucesso entre aqueles preocupados com os acessos que seus perfis têm é o TwitterCounter.com. O site disponibiliza gráficos, números, médias e projeções de seus “tweets”, “followers” e “following”. Outro site que atrai bastante os usuários por oferecer serviços de gráficos interessantes é o TweetStats.com.

 

Além de sites, o Twitter conta com vários não-oficiais aplicativos criados por usuários, programadores e criadores freelancers. A função de aplicativos mais usada é a de postagem remota, mesmo que no computador. A forma de twittar mais comum é a direta no site do Twitter, pelo site Twitter.com. Mas, muitos usuários preferem agregar ao navegador que utiliza uma janela para postar seus tweets sem a necessidade de acessar o site. Os mais comuns são o TwitterFox e o TweetDeck.

 

Há também aquelas ferramentas cujos objetivos não são tão fiéis a algum propósito, como as postagens oferecidas pelo Blip.fm. Você se cadastra no serviço e “cria” uma playlist ou seleciona um trecho de música pra ouvir; logo em seguida é enviado um tweet para seu perfil informando o que você escolheu para seus seguidores. Na mesma linha deste, utilizando uma terceira conta em conjunto com o Twitter, os seguidores do lastfm_love têm suas ações postadas no Twitter também, automaticamente, utilizando o serviço oferecido pelo site Last.fm.

 

E a última sensação que os twitters vivem é a de poderem comprar perfis pelo site Buytter.com. A ideia é simples e prática: compre perfis de toda a “twittosfera”; a cada recompra de perfis que você tenha comprado, seu dinheiro é devolvido com um acréscimo proporcional à quantia que a pessoa vale.

 

Confuso? Na prática nem tanto.

 

 

CORRELACIONANDO PROFISSÕES E O TWITTER

Através da pesquisa e análise de 1120 perfis na twittosfera, foram identificadas profissões e sexo dos twitters. Dos perfis analisados, 102 são jornalistas. Um dos intuitos primordiais do Twitter foi o de agilizar a transmissão de mensagens entre o emissor e seu público. Talvez, por isso, a classe seja tão ativa. Logo atrás dos jornalistas, 94 estudantes de vários cursos e ensino médio, 90 professores e 58 publicitários. Profissões ligadas à informática (webdesigner, técnico de computação e programador) somam 48. Os designers, logo atrás, totalizam 40. Pessoas ligadas às artes (Artes Cênicas, Dança) dão um total de 30 pessoas. Engenheiros, advogados, bancários, economistas, ocupam o espaço de Outros, no gráfico abaixo.

A educadora Vanini Lima (jurasecreta), 26, acredita na correlação do Twitter com sua profissão e seu ambiente de trabalho. “Sou educadora, mas na realidade trabalho com inúmeras tarefas. Procuro compartilhar informações, pois esse é o princípio, fornecer os meios para que as pessoas possam se desenvolver, aprender, crescer, evoluir. Quando estou pesquisando algum tema para minhas aulas, sejam de história ou de informática, sempre compartilho meus achados”, declara. “As possibilidades são amplas e o serviço de microblog permite a ampliação de acordo com minhas preferências”, finaliza.

 

Com uma visão diferenciada, o escrituário (e formando em Biologia) Igor Appolinário (garotobipolar), 24, defende que o serviço de microblog não é tão útil para a execução do seu ofício. “Em essência, o microblog não tem muita utilidade para minha vida profissional, mas creio que tem grande potencial para alguém que queira fazer um trabalho de campo e tenha acesso à conectividade, para uma comunicação rápida.”

 

Alguns usuários do serviço utilizam seus caracteres para falar sobre o local de trabalho e, em geral, sobre seus chefes. Cuidado: há muito mais gente de olho em seus tweets do que você pensa. E qualquer deslize pode fazer você cair na velha e clichê frase: “Cale-se, pois tudo poderá ser usado contra você daqui pra frente”. A utilização do Twitter de forma correta pode adicionar valores e informações à sua profissão, pois você está em contato com vários profissionais de sua área, de toda parte do Brasil e do mundo. “Acesso as ferramentas para agregar dados à minha profissão, pois o serviço oferece dicas de estágios, projetos de estudos, propagação de notícias. E ainda divulgo o site que trabalho e um blog que mantenho com amigas”, conta Raquel Sacheto.

 

Dos 1120 perfis pesquisados e analisados, 58% são homens (ou 650 indivíduos). O que resta, então, 470 mulheres. A socióloga e pesquisadora de redes sociais Helia Assis (assishelia), 43, afirma que “os homens estão intrinsecamente ligados mais à tecnologia do que as mulheres, até mesmo por seus instintos ansiarem por estar em contato com mais gente”. A pesquisadora ainda afirma que os números, apesar da diferença, não significam muito, devido a hierarquia e a socio-democratização que a sociedade está desenvolvendo e já desenvolveu.

Todos os nomes em parêntesis durante a reportagem e matérias vinculadas são os nomes de usuários dos entrevistados. Para acessar seus perfis basta digitar o endereço Twitter.com/ o nome entre parêntesis. Os gráficos foram feitos por Francis Kinder (fhkinder), 21, estudante de Economia.

22/02/2009

As Relações Sociais dos Dias Atuais

Estereótipos e preconceitos... Eis a constituição básica da sociedade. E assim tem se mantido. Sem perceber, ou propositadamente, prejulgamos o outro a todo momento. Vivemos hoje em uma época em que até mesmo as amizades são “selecionadas” pela influência social do indivíduo. As relações humanas têm sido alvo de um jogo de ambição e interesse enrustidos.
Conforme o tempo passa, mais evidente se torna o lado negro do capitalismo que, por sua vez, é o principal responsável pelas bruscas mudanças que a sociedade tem passado, se comparado a primórdios. Com um caráter cada vez mais competitivo, o capitalismo molda, hoje em dia, uma sociedade de indíviduos com ideais cada vez mais egoístas: ser bem sucedido a qualquer custo. E é justamente este tipo de pensamento que faz com que a parte pobre e de pouco influência social no sistema, seja excluída e “invisibilizada” cada vez mais pelas pessoas.
Uma boa exemplificação real que confirma minha teoria foi o caso do psicólogo Fernando Braga da Costa que, a fim de desenvolver sua tese de mestrado, vestira um uniforme de gari e trabalhou varrendo as ruas da USP e, como resultado, notou-se a total exclusão. O que, logo nos leva a perceber a troca das relações afetuosas pelas relações interesseiras, exercidas hoje em dia pela sociedade. Pouco tem importado as características individuais do ser humano. A renda se tornou as virtudes de outrora. Não mais importa quem somos, e sim, o que temos.
O que, infelizmente, todos se esquecem, é que somos todos iguais, independente de lei. Temos todos a mesma origem. Temos todos as mesmas incertezas acerca da vida propriamente dita e, mais que isso, todos vamos morrer um dia, sem distinção de cargo ou classe social.

07/02/2009

Pré-escrita

Pra que usar-se o termo "Pré-História" pra designar o período correspondente a fatos decorrentes anteriores à escrita? Dizer pré-história significa dizer "anterior à historia". Mas, poxa, o que acontece em tal período também é história (!) e usar o prefixo "pré" significa desconsiderar tudo aquilo que aconteceu naquele período; Significa desclassificar tais fatos como parte da história. O que é, de fato, algo bastante errôneo e etnocêntrico.
E, além do mais, como todos nós sabemos, não existe uma anterioridade à história. O que torna, mais uma vez, bastante equivocado o uso do termo.
Então, insisto mais uma vez, pra que usar-se o termo Pré-História?

30/01/2009

"Nova História Crítica" banida das escolas.

Achei que censura fosse algo da ditadura e que a ditadura tinha acabado, mas sabemos que para manter o rebanho pastando temos que vigiá-los para que eles não pulem a cerca e para que não conversem com o rebanho vizinho. Acontece que o livro "Nova História Crítica" de Mário Schmidt foi censurado pelo governo e não será mais usado nas escolas públicas. O livro já havia passado pelo crivo dos "censores" e estava já sendo utilizado há algum tempo, mas agora ele passou por uma nova análise que o rejeitou. O livro, dizem, contém informações ideológicas, como se a mídia não nos passasse uma ideologia burguesa todo dia com o respaldo do governo. Algumas das ideologias lidas no livro é a de que Mao Tsé-Tung foi um grande estadista, que no capitalismo é a burguesia quem toma as decisões buscando lucro e no marxismo tudo é feito para agradar a população. Mas os censores dizem que esse não foi o verdadeiro motivo de banir o livro mas de que algumas informações encontram-se desatualizadas. Os pais de alguns alunos dizem que o livro é bom, que ele não impõe nehuma ideologia, pelo contrário, que ele é crítico e faz as crianças pensarem já que muitos desses pais dizem que seus filhos depois de terem adotado esse livro chegavam em casa fazendo perguntas, o que não acontecia com outras publicações. Agora falando sobre ideologias falsas e impostas. O que são as novelas em que aparecem apenas ricos vivendo em Copacabana, empresários que vão a prostíbulos, mulheres que fazem de tudo para permanecerem belas com suas cirurgias plásticas, de vez em quando aparecem pobres do tipo "é pobre mas é limpinho", empregados possuem uma cor mais escura e favelados são bandidos. Qual a ideologia de Malhação passada para os jovens? Escolas particulares que se parecem Shopping Centers, somente brancos com excessão de um ou outro negro, os pobres sempre se fudendo nas intrigas, roupas fúteis e caras... agora eu me pergunto, isso é real no Brasil? A maioria das escolas e pessoas são assim? Claro que não, eles estão pouco se lixando para o resto, vivem em seu próprio mundo e mostram isso como se fosse algo normal a ser alcançado, todos deveríamos estar lá, com carros importados e mulheres vulgares que se igualam a prostitutas.
Eu mesmo estudei com essa série de livros da 5ª a 8ª série e nunca mais acheis outros livros de História que fossem tão bons quanto esses.
Mas no Brasil é assim que funciona: Eles não querem que você saiba criticar... E depois ainda perguntam: "Por que que o Brasil não vai pra frente?"

Guilherme Oliveira Quintino

25/01/2009

Lavagem Cerebral. A gente vê por aqui.

Propaganda da Rede Globo na Revista Veja ed. 2086 ano 41 nº45 / 12/11/08:

"Através de suas campanhas e do merchandising social nas novelas, a Globo leva temas relevantes para a sociedade, estimulando a reflexão e o debate de interesse público. A gente trabalha para oferecer a melhor programação para os brasileiros. E para ajudar a fazer um Brasil cada vez melhor. Esta qualidade a mais se chama Valor Público."

Você já percebeu que a Rede Globo sabe muito bem como fazer a cabeça das pessoas? Se não, você é apenas mais um dos milhões de brasileiros que ainda acham que recebem a verdade todos os dias.
- Por que será que praticamente ninguém duvida das palavras de um jornalista?
- Será que a globo trabalha para oferecer a melhor programação para os brasileiros?

Infelizmente a população em geral nem faz noção do que é uma programação de qualidade. Além disso, é incrível como ninguém percebe o quanto a programação da Globo é pobre e monótona:

1º - Jornais que falam da mesma coisa a semana toda, e quando acham casos polêmicos como: Caso Isabela; Seqüestro de Eloá; Acidentes de Aviões; Igreja Renascer... falam disso quase um mês até o povo ficar paranóico.

2º - 5 Novelas por dia que só falam de desgraças: Drogas, Gravidez Precoce, Alcoolismo, Sexo, etc. (Novela das 14:00h/Malhação/Novela das 18:00h/Novela das 19:00h e das 21:00h).

3º - No dia que resolvem passar uma minissérie interessante, que apresenta a verdadeira qualidade, lançam um Big Brother Brasil pra fazer a minissérie passar tarde da noite.

4º - A respeito dos filmes da até vergonha da falar, quando resolvem passar um “inédito”, pode ter certeza que é um filme de no mínimo 3 anos atrás. (As produtoras vendem esses filmes as emissoras dos países subdesenvolvidos pois as vendas nos países de 1º mundo já foram encerradas).

5º - E o resto da programação é completada com de desenhos animados repetidos, programas de comédia e de auditório onde poucos são de qualidade.

Bem, se você respondeu no início desse texto que nunca tinha percebido a falta de qualidade da TV aberta no Brasil... É hora de abrir o olho e passar a questionar tudo o que você vê. Não se esqueça de que uma média de 90% dos políticos Brasileiros são donos de alguma empresa relacionada à Mídia (Revistas/Jornais/TV/Rádio, etc.), e mesmo isso sendo proibido por lei, ninguém obedece e nem é punido.
Enfim, procure confirmar as informações recebidas em outras fontes de confiança. Não acredite em tudo que você vê, pois uma empresa do tamanho da Globo é capaz de fazer a cabeça de uma nação inteira.
A Globo tem plena capacidade de ter uma programação de qualidade, que transmita conhecimento, valores, informações sensatas, transimitindo nossa cultura. Mas a realidade do nosso país é essa... o que eles realmente não querem é que a população pergunte, duvide e reflita sobre os problemas da sociedade, sobre a corrupção, política e sobre tudo o que está errado. A TV é apenas mais um item dentro de uma infinidade de coisas que mantém os pobres sempre pobres, e os ricos cada vez mais ricos.
A pior doença é a falta de informação. Fique esperto.


Guilherme Oliveira Quintino

14/12/2008

ENSAIO II

Para Lya Luft

É tudo sobre essa linha imaginária, sobre essa barreira invisível. Existe algo que envolve possibilidades, disse ele a ela esperando uma resposta, que fosse corporal, ainda pensou. Ela olhou para os lados bem devagar, olhou para o prato branco sujo e então para ele. Seus olhos, uma verdadeira mistura de curiosidade e compaixão, ansiavam por uma palavra que aliviasse a tensão do momento. Ela sabia que era muito difícil para ele. Então, finalmente propôs que já é hora de deixá-los, não acha?, que é hora de sair de lá e então entre o momento deixava a taça de vinho sobre a mesa e o instante em que ouvia as últimas palavras saírem da boca dela, resolve pegar em suas mãos e dizer bem firme que não adianta deixá-los, que ir pra longe não adianta, porque não existia lugar no mundo que fizesse a distância dele com o problema aumentar. Fez uma pausa e olhou para ela, ainda segurando firme suas mãos. Percebia, enquanto fitava aqueles belos olhos, que uma lágrima deles caia, borrando o lápis e a maquiagem de seu feito rosto. Enquanto passava o dedo enxugando a lágrima, ele terminava sua sentença dizendo que a distância com que ele lida é a distância interna, essa confusão gigante que a cada dia verificava se encontrar. Soltando suas mãos, agora tomando mais um pouco do vinho, ele diz muito obrigado e ela diz que não fez nada e que gostaria muito de ter tentado mais e não ter aborrecido-o e mais uma vez ele a interrompe dizendo que o problema não era com ela e sim com ele. Ela sorri, com uma certa malícia fulminante, com uma leve dissimulação no olhar. Talvez você dê importância demais ao que não mereça, disse ela de uma vez não tirando os olhos dele. E talvez você nunca entenda sobre a questão que batalho no meu íntimo, até mesmo porque ela não é uma coisa simples. A complexidade existe e infelizmente não é fácil explicar, preciso ir, disse já se levantando e deixando o dinheiro da conta, a gente se fala por aí, disse pegando o casaco. Já no carro, dirigindo a esmo naquela noite nublada, abriu os vidros e deixou sentir o vento nos cabelos e se permitiu o fechar aos olhos. Sua pior ação, viria a constatar. Ao abrí-los, nada via além de dois grandes holofotes imensos uma luz amarelada que se tornava branca a silhueta da morte. Tudo o que sentiu foi um pequeno corte na mão direita. Nada mais. E não precisaria mais preocupar-se com barreiras imaginárias ou linhas invisíveis. Afinal, não mais precisaria conviver com possibilidades. Ultrapassara tudo, deixando para trás o lógico e o emocional. Se fora; simples e rápido com os relâmpagos daquela que era uma noite nublada.

[ Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down ]
Elephant Gun - Beirut

28/11/2008

ENTRELINHAS

Escrito em 08/09/2008

Para

Caio Fernando Abreu
Os Beatles, todos

Queria poder pegar todas aquelas idéias-maravilhosas-que-mais-ninguém-teve-mas-eu-tive-e-esvairam-se de volta. Sabe, tenho certeza de que se reúnem em algum lugar secreto, mágico, como os que Jostein Gaarder cria em suas fantasiosas terras peculiares. E não as queria para poder fazer uso delas, apenas para mantê-las juntamente com as demais que consigo prender. Queria poder pegar as palavras mal-ditas, poder pegar os nãos recebidos, os descasos a mim dados e colocar tudo dentro de uma caixa. E deixar lá, num canto qualquer. Queria pegar os sentimentos bons, as alegrias, a euforia, colocar em vidros vazios e dar à Lucy. A Lucy, aquela menina que corre e deixa tantos rastros coloridos, sabe? Ou então ao Jude. Seria interessante doar um pouco do conteúdo desses vidros a esse menino tão quieto. Eu garanto que usufruindo desses sentimentos ele daria vazão a louca folia de cores. Seriam verdes, vermelhos, azuis, amarelos alarajandos amarronzados anilados cores cores azul vermelho para todos os lados para todos os jeitos: toda a eterna desincronia de fontes coloridas: azuis com vermelhos formando o arroxeado o azul com o amarelo formando o esverdeado. E dessa loucura de cores prover aos dois, agora então companheiros, à insanidade. Pegá-los e colocar numa caixa, bem diminutos. Numa insaciável sede por cores e por este megalomaníaco interesse em diamantes. Sabe que uma vez Lucy foi cheirar pó mas a engaram e a venderam pó de vidro? A pobre garota loura de olhos bem azuis cintilantes sangrou quase até a morte. Mas passou. Quero sair deste meu lugar secreto. Quero libertar todas estas idéias que mantive presas por tanto tempo. Presas na minha mente, coitadas. Debatendo-se dias e noites e tardes ensolaradas chuvosas quentes frias gélidas umas às outras, Me deixem sair, grita uma delas, num frenesi louco, QUERO SER REAL, implora outra. Jude e Lucy devem aproveitar seu tempo, pois dele não resta muito. Mas como eu dizia não se pode aprisionar a todos e a tudo o que se tem vontade. A algumas coisas dá-se o que chamam de liberdade, mas é um papo furado tremendo. O que é a liberdade a justiça a democracia a liberdade senão antíteses em suas essências? E todo o assunto que se vê na boca de pessoas que não valem à pena? E quem o que vale a pena? Jude e Lucy vivem cheiram choram chamam chocam, viu só como são ativos?, chulipam chuviscam chovem choram choram. Vejo gotas de Lucy e Jude caírem do céu, o tão famoso céu com diamantes. A psicodelia dá-se então instaurada: gotas de Lucy rosas amarelas azuis verdes vermelhas vermelhas muito vermelho, Jude caindo em forma de anil roxo lilás amarelo amarelo muito amarelo anil azul Jude azulado. Jude in the Sky with Diamonds, Hey Lucy, diz Jude, Hey Jude, ela responde, Lucy in the Sky with Diamonds, ele diz, e ela chora e confunde-se choro com choro e lágrimas com lágrimas e as cores se difundem numa psciodelia muito louca. Quero ir pra casa, quero ir pra casa, diz uma lágrima, uma gota, uma chuva. Lucy está em sua cama, olhando o teto, vê um coração enorme escrito Eu te amo, enquanto Jude está procurando o monstro que ouviu falar debaixo do seu armário. Lucy ama Jude, e ela lembra de ter dito isso várias vezes, várias cores : amarelos azuis vermelhos. Vários amarelos amo, vários azuis eu, vários vermelhos verdes anis te. Muito doce, muito doce. Lucy deixa a casa, a cidade. Lucy deixa Jude.

Jude vê nuances de todas as cores que acompanhava seus passos. Vê nuances entre as várias formas que saia de si mesmo. Vê nuances de seus vários eus azuis amarelos vermelhos. pretos. brancos. marrons. Jude desiste de tudo e se entrega. Hoje trabalha num hotel levando e trazendo malas, subindo, ganhando gorjetas, descendo, ganhando desaforos, humilhações. palavras mal-ditas. descasos. Dia desses foi para sua casa no meio do turno porque recebera um carregamento. From me to you, era só o que estava escrito. Jude percebeu que recebera idéias-maravilhosas-que-mais-ninguém-teve-mas-eu-tive-e-esvairam-se, postais de lugares secretos, mágicos, como os que Jostein Gaarder cria em suas fantasiosas terras peculiares, palavras mal-ditas nãos recebidos descaso: todos implorando por liberdade justiça democracia. paz. Em uns vidros bonitos havia ainda sentimentos bons alegria euforia. Concluira: recebera Lucy de volta.

20/11/2008

Sobre o curta-metragem Bastille

Sem dúvida alguma Isabel Coixet já se mostrou bastante competente na direção de brilhantes filmes, assim como na arte de fazer-nos refletir com suas obras, como nos é acometido em "minha vida sem mim". E foi com toda sua experiência, somada a ajuda dos excelentes atores Miranda Richardson, Sergio Castellitto e Leonor Watling que conseguiu, enfim, dirigir um curta-metragem genial, de aproximadamente 5 minutos, para fazer parte da estrita coletânea "Paris, te Amo". Apresento-lhes Bastille.

Sentado no mesmo restaurante em que se conheceram, nosso pensativo protagonista aguarda pela chegada de sua mulher. Não se tratava de uma comemoração romântica. Precisava, naquele dia, naquele lugar, daqui a alguns minutos, fazer uma confissão que mudaria o rumo de sua vida amorosa. Precisava anunciar a separação. Desejava viver uma vida diferente com a sua amante de longa data, Marie Christine. Uma vida oposta àquela rotineira que sua mulher lhe proporcionava. O velho casaco vermelho que o atraira quando a conhecera se tornara agora um fardo e uma simbologia do constante recomeço e da rotina. As qualidades de outrora viraram defeitos do agora. E tudo isso se convergia em uma única suposta verdade: ele não a amava mais. Enfim, é esta uma confissão que jamais fora revelada. Fora suprida por uma revelação maior e inesperada de sua mulher: a notícia de que ela portava de Leucemia em fase terminal.
Eis aqui o grande conflito da história. O fator externo que fará com que o carretel se desenrole. O que fazer? O que realmente deveria predominar nesta situação, a razão ou o coração? O marido em questão opta sabiamente pelo correto. Corta sua relação paralela com Marie Christine e resolve dedicar todo seu tempo a cuidar da enferma esposa. O que, logo nos leva a pensar que, a partir de então, levaria uma vida completamente infeliz ao lado dela. E é justamente neste ponto que o filme nos contraria e nos surpreende. Fingindo ser um marido feliz e apaixonado é que ele consegue, de fato, se reapaixonar pela sua mulher. Os defeitos de há pouco reviraram qualidades. Mas a essa altura, já era tarde demais. Quando ela morre em seus braços, ele entra em um estado de trauma terrível. O desejo vicioso de poder voltar no tempo o toma conta. Desejava ter aproveitado infinitamente mais da presença da esposa em vida. Mas não podia. Desejava nunca ter que conviver com o remorso de um dia ter tido uma amante e sequer cogitado em separar de sua mulher. Mas não podia. O velho casaco vermelho adquirira uma nova simbologia.
Um turbilhão de reflexões surgem em nossa mente durante este final. Chega a hora de nos colocarmos no lugar das personagens e vivermos o drama dos mesmos. Aliás, ficamos pasmos ao perceber como um curtíssimo filme de cerca de 6 minutos nos é capaz de proporcionar tanta ponderação... E tantas possíveis interpretações e análises psíquicas. Sugere-nos uma análise acerca do desgaste das relações amorosas; Da forma que culpamos o próximo quando o erro ou o defeito está em nós mesmos; Do grande paradigma que é o discurso de que só passamos a dar valor a certa coisa depois que a perdemos. Et cetera.
Eis um curta-metragem digníssimo de elogios, muito bem dirigido por Coixet. Quem ainda não assistiu, recomendo que o veja. Não pense que essa simples descrição ilustra toda magnitude dessa proposta de "curta tese". Pois não, o filme vai muito além disso. As imagens sugestivas são capazes de nos fazer compreender e sentir algo que palavras são insuficientes e vagas demais para descrever. Serão, sem dúvida, seis minutos muito bem aproveitados, com muita lição. Muito longe de 2 horas e meia desperdiçadas.

03/11/2008

A Política Para Thomas Hobbes - Leviatã


O que diz a filosofia sobre política? Não só política, mas sobre qualquer tema, os pensamentos variam de filosófo para filósofo. Uns a frente de seu tempo, outros descordando de um pensamento anterior.
No decorrer da história, o homem busca o convívio em sociedade, sempre havendo líderes.
Para apresentar suas propostas de como seria o Estado ideal, Hobbes primeiramente define o homem na ausência da sociedade. Em sua principal obra, "Leviatã", estão suas idéias políticas, minha fonte bibliográfica.
Hobbes viveu em uma época Absolutista, começou a estudar cedo e se dedicou a tradução de livros e a aulas que dava a filhos de nobres, usufruindo das grandes bibliotecas dessas casas.
Para Hobbes, no estado natural todos os homens são iguais, tendo direito a todas as coisas. Sendo iguais na força (física ou astúcia), os homens desejarão também, as mesmas coisas. Por isso entrarão em guerra. Somos egoístas por natureza. No estado natural a vida está em constante ameaça.
Para haver a paz, é preciso que ocorra um acordo entre as pessoas. Com isso, estaremos saindo do nosso estado de natureza, em que não há convívio social [frisando: o homem não é sociável por natureza], para fazer o acordo, depositando a confiança no próximo, pois, não é garantia de que ele seguirá o acordo.
Que acordo é esse? É o chamado pacto social. As leis naturais (seguir a paz, gratidão, cumprir os pactos, perdão, não ofender o próximo) não tem eficácia, não tem garantia de que vão funcionar porque não há alguém que obrigue a serem cumpridas, e elas devem ser cumpridas por todos.
Para acabar com a insegurança entre os homens e fazer cumprir a lei natural, é fundamental e indispensável a presença de um Estado para garantir a paz civil, defendendo o povo das invasões estrangeiras, das ofensas de uns com os outros, garantindo a segurança e a alimentação.
A única maneira de instituir o Estado é conferir toda a força e poder a um soberano, reduzindo as diversas vontades do povo em uma só. É aí que entra o pacto social, que vai designar o soberano como representante do povo, cada um se reconhecendo como autor de tudo o que o soberano fizer relacionado com a paz e segurança de todos. O povo submete suas decisões à decisão do soberano.
O soberano pode ser uma pessoa ou uma assembléia de pessoas. É representado pelo Grande Leviatã, um monstro bíblico.
O pacto é de cada homem com todos os homens, é entre os cidadãos, não entre o povo e o soberano. O Estado está fora do pacto. O soberano é o Estado.
Com o pacto os cidadãos se privam da liberdade que tinham no estado natural de fazer justiça com as próprias mãos e transferem esse direito/responsabilidade ao Estado.
Essa desigualdade entre povo e soberano será necessária para gerar a paz, sendo que na igualdade havia guerra. No estado natural todos eram iguais na força e agora com o Estado, os cidadãos serão iguais na fraqueza, pois cederam seu poder ao soberano.
O Estado será o garantidor da paz civil, está acima dos homens (súditos).
O soberano poderia se transformar em um ditador e matar todos, por exemplo? Não, pois não é do seu interesse. O soberano precisa do poder do povo, é de seu interesse que o povo esteja em boas condições. E não há o risco de o soberano fazer algo ruim para o povo, porque qualquer coisa que ele fizer será o bem, porque é o que ele quer. O soberano não deve satisfações de seus atos e nem eu terei o direito de contestá-los, pois, compactuei cedendo todo o meu poder a ele.
O que fará com que os homens saiam do estado de natureza, compactuando entre si? O medo! O que leva os homens a se formarem em sociedade não é a boa vontade, mas o medo que cada um tem do outro, o medo de morrer, porque o homem tem um instinto de conservação, ou seja, um instinto de manter sua própria vida acima de todas as coisas [lembrando que na ausência de sociedade e Estado, a vida está em constante ameaça]. Portanto, a busca pela companhia não provém do amor, mas sim para tirar algum proveito do próximo.
O pacto é tácito, pressupõe-se que todos estão de acordo.
Sobre a escolha do soberano, Hobbes não se preocupa. Mas o próximo soberano é o atual soberano quem escolhe.
Temos a impressão de que com o Estado não há liberdade, mas na prática, agora teríamos mais liberdade do que no estado natural, isto é, agora não precisaríamos ter medo dos outros, pois todos somos iguais na fraqueza.
As pessoas teriam o direito de ir contra o pacto, caso as leis o punissem? Sim. Pois quando a pessoa comete um crime, por exemplo, o Estado se volta contra ela, e como temos o instinto de conservação, faremos tudo para salvar a nossa pele.
Hoje em dia, se um criminoso fugir da cadeia, quando ele for recapturado sua pena irá aumentar? Não. Justamente porque temos o instinto de conservação. É normal o criminoso querer fugir, a falha é do Estado que o deixou escapar.
Hobbes é Absolutista? Não! A partir de Maquiavel, o Estado é apresentado de forma a não seguir um direito divino, o que há no Absolutismo. E Hobbes segue a mesma idéia, o Estado segue as exigências do pacto social. Leviatã é representado com uma espada e um cetro/cajado em cada mão, representando o poder militar e religioso, que devem seguir juntos. O soberano decide qual religião todos devem seguir juntos. O soberano decide qual religião todos devem seguir.
Outra diferença entre o Absolutismo e o pensamento de Hobbes, é que ele admite que o soberano possa ser uma aristocracia, embora prefira a monarquia, para não haver muita fragmentação de poder, que gera conflitos.
Hobbes teve que apoiar o rei para que suas idéias não fossem atacadas e tivessem público.
As idéias de Hobbes nunca foram aplicadas, mas assim como o exemplo que citei de no caso de fuga da prisão, a pena continuar de onde parou, há muito a presença dessas idéias hoje.



Agradeço ao Filósofo Professor Euclides, por me dar a melhor ajuda em filosofia que eu poderia ter.

12/10/2008

Estudantes querem voz (II)

Eis aqui uma redação feita por mim para uma avaliação escolar e cuja proposta não me lembro bem, mas girava em torno da questão dos novos movimentos estudantis. E o gênero era obrigatoriamente blog.
Quero, então, antes de mais nada, também me desculpar pelo formato clichê do gênero pedido :P


.
Caros amigos, peço desculpas por ter ficado tanto tempo sem postar. O motivo muitos sabem. Estava marcando presença no manifesto na UnB. E já que estou sem outra coisa para vos falar hoje, vou comentar aqui um pouco sobre o protesto feito.
Estava eu fanfarreando desde o primeiro dia. Era uma manifestação modesta a princípio. Não apostava muitas fichas naquilo. Confesso que, de início, me aderi pela baderna. Aquela miscelânea me incitava. Mas... com o passar dos dias, com o movimento ganhando massa e, principalmente, divulgação, fui amadurecendo meus princípios ali mesmo, em meio à zorra. Nascia um sentimento forte clamando por justiça dentro de mim. Uma adrenalina revolucionária inexplicável corria em minhas veias. Me vinha à cabeça imagens do belíssimo movimento estudantil de 68, que vira antes em documentários.
É claro que as causas de outrora eram outras e mais sérias (tinham inimigo externo e causa política). Mas que culpa temos? O que importa é que estávamos ali, reivindicando nossos direitos estudantis, fazendo valer nossa voz, nosso coro. Assim como há tempos atrás. Mas deixemos esta parte para depois.
Quero, ainda, expressar aqui minha aversão àquele descarado do reitor Mullholand. Como pôde desviar tanto dinheiro?! Quase meio milhão de reais, da verba de pesquisa da universidade, para reformar sua cobertura... conta-me outra! E ainda dizem que nosso movimento cheirava à futilidade. Compartilhas da mesma opinião? Reflita só o quanto poderia ser investido na universidade com todo este dinheiro! E ainda se julgaram no direito de impor-nos uma multa de mil reais (!) por hora de ocupação, e cortar-nos água e luz. Claro, muitos desistiram por medo de se complicarem judicialmente, mas a grande resistência continuava lá. Me orgulho de ter feito parte daquilo. Era emocionamente ver aquele bando de desconhecidos entre si, unidos por um mesmo fim, com um coro de eriçar os pêlos: “Ocupa, ocupa, ocupa e resiste!”
Não pretendo alongar muito essa descrição, pois tenho receio de que isso fique grande o suficiente para não ser lido. Mas queria, antes de finalizar o post, acrescentar algumas outras palavras.
Vivemos hoje, em uma época de uma sociedade morta que, simplesmente, se acomodara à triste realidade. Violência e corrupção se tornaram coisas corriqueiras... não mais se luta por melhorias. Mais do que o afastamento do nosso reitor, acredito que este nosso movimento tenha tido um significado maior. Demos, além de tudo, um tapa na cabeça dos jovens de hoje, para que acordem e percebam que juntos, podemos fazer a diferença. Juntos podemos sim fazer com que nossas reivindicações sejam aceitas, com que nossa opinião seja escutada. Então acordemos. Não deixemos que corruptos nos omitam o destino do dinheiro público. Não permitamos que corruptos nos roubem o direito de uma educação melhor.
Quero, ainda, deixar algo bem claro. Estamos sendo chamados, ironicamente ou não, caras-lavadas. Não sou muito favorável a essa rotulação, mas chamem-nos como quiserem. Todavia saibam que jamais tivemos o propósito de sermos comparados aos históricos caras-pintadas. Até mesmo porque “em cada etapa da história, o movimento estudantil tem um papel e uma forma de se manifestar”, como diria o ex-líder estudantil e ex-ministro cassado (irônico, não?) José Dirceu.

19/07/2008

O sonhador

Um sonhador,
Um pobre sonhador.
Um dia um, outro dia outro,
Cada dia um sonho.

Vive sonhando,
Vive pensando.
Sonhando ele vive,
Pensando deseja.

Hoje ele pensa,
Amanhã ele sonha,
E mais uma vez ele vive,
Vivendo pensando.

05/06/2008

Furto Famélico

O que é uma melancia? Certamente é uma fruta de grande dimensão e de alto valor nutritivo. Mas para Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues da Rocha simplesmente fora uma alternativa encontrada para "tapear" a fome e, afinal, se manterem vivos. Assim foram, os dois, detidos pelo furto de duas melancias para seu próprio sustento.
Esse acontecimento nos põe a refletir deveras sobre o chamado furto famélico, o qual podemos definir, simplificadamente, como o furto de alimento para o próprio sustento do indivíduo.
Podemos tomar esse assunto de diversos ângulos. Diferentes pontos de vistas. Muitos acreditam que essa vertente do furto merece séria punição, tais como as demais espécies criminais. Eu, particularmente, em oposição, defendo a idéia de que o furto famélico é algo decorrente da nossa política decadente pela qual se torna cada vez mais evidente a enorme desigualdade social em nosso país. Acredito que não seja motivo para prisão. Pois se ocorrem furtos de milhares de reais debaixo do pano dentro da própria justiça e política brasileira por que é que se deve julgar aqueles que roubam comida e por pura necessidade?
No Brasil, o furto famélico tem sido alvo de polêmica e divergências entre os juizes brasileiros pois não é tido como crime. Quando se há a certeza dessa prática, a solução quase sempre é a absolvição do indivíduo pelo Princípio da Insignificância, o que não é bem aceito por alguns. E com certa razão, pois sejamos racionais. Isso é uma forma direta de incentivo à essa espécie de furto, a partir do momento em que não há punição para tal ato. Acredito que deve sim haver uma absolvição, mas claro, com condições. Afinal, furto é furto. Independente do motivo não deixa de ser ilícito. E deve ser julgado de alguma forma. Pois quem há de arcar com os prejuízos do comerciante? Não é "perdoando" delitos que adquiriremos uma sociedade digna, mas evitando que sejam cometidos.
Aposto que se tal pessoa, absurdamente faminta, explicasse sua dramática situação para o comerciante, obviamente ele não se recusaria a um pedido de alimento. Até porque não se costuma dar esmolas hoje em dia justamente devido ao fato de os pedintes “exigirem” dinheiro, o que coloca em dúvida a real situação da pessoa. Mas um pedido de comida... quem ousará recusar?
Acredito que à medida que esses furtos de comida, por mais insignificantes que sejam, saiam impunes das mesas dos juízes, maior é o incentivo para a prática. Hoje são duas melancias... e amanhã?

21/05/2008

Pensamentos do tempo

Sozinha, à noite eu penso
Nos que se foram
Nos que foram e não sabemos

No escuro eu penso
No que virá
No que perecerá

Em silêncio eu penso
E quanto mais penso
Mais certeza tenho de que sou História.

11/04/2008

Pessoas

Há uns dias venho evitando as pessoas, caindo no clichê de que são (realmente) deveras cansativas. E esvaio-me na hipótese de uma vida onde exista eu. Eu sendo minha companhia, minha melhor companhia. Meu amigo. Meu amor. Caio na realidade e encaro que não é possível viver só. Até que é possível, tendo em vista a sanidade. Ou a falta de sanidade. Sempre no meio de devaneios e indagações. Gostaria de tratar a vida como ela parece querer me tratar. Não necessariamente do jeito que eu realmente aprecio, mas nem sempre (leia-se: quase nunca) conseguimos tudo que queremos. Apesar de que, contraditoriamente, consigo bastante do que eu quero. Por vezes não da maneira que eu quero, mas ainda assim o fato em si. E creio que seja uma realidade comum a tantas pessoas, porque não me vejo com nenhum aspecto que me faça ser ou me sentir melhor do que alguém para estar obtendo regalias. E claro, caindo sempre num paradoxo imensurável, retorno a dizer o quanto evito as pessoas, mas, ao mesmo tempo, as quero. Não as pessoas que nada me acrescentam à vida. Quero pessoas que me ajudem a cada dia escrever um capítulo a mais no livro da vida. Como o ditado diz, a vida é um livro em branco, escrito à caneta, sem borracha ou corretivo. E ainda analogicamente falando, escrever capítulos grandiosos, com instigantes histórias, com um conteúdo pragmático e voraz, não deixando de ser, por vezes, inócuo e insensível, porque nem sempre de bons sentimentos são feitos os melhores momentos da vida. E eu, por experiência, digo: são tantas as vezes que capítulos na vida são finalizados (com um final bem legal) por pessoas que você jamais imaginara que dariam aquele quê à história. Pessoas evitadas por outros, aceitas por vocês. Pessoas que nada acrescentam a outros, mas acrescentam à você. Pessoas que eu evito, pessoas que eu procuro. Pessoas que eu confio. Pessoas. Sempre nesse meu dilema intrinsecamente pessoal e singelamente único. Pessoas.

09/04/2008

As facetas de 1808

[Apenas uma redação escolar.]


Indiscutivelmente, a história do Brasil é um tema amplo que, sem dúvida, provoca paixões e inúmeras discussões entre a população, devido à extrema riqueza em controvérsias. Controvérsias essas que ficam claramente ilustradas quando nos referimos, principalmente, à tão debatida vinda da Corte de Portugal para o Brasil em 1808. Ironicamente, neste ano, comemora-se (ou lamenta-se) os duzentos anos dessa “passagem” portuguesa pela nossa “pátria amada”. Uma duradoura estadia que se concretizara quando Dom João (não ainda VI), príncipe regente e futuro rei, com o intuito de fugir das tropas de Bonaparte, desloca a Corte Portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. Uma simples mudança que viria a acarretar profundas transformações políticas, econômicas e, principalmente, culturais na colônia Brasil.

Muito se especula hoje em dia, por muitos, o fato de que D. João (trans)formara positivamente o Rio de Janeiro, deixando um legado e uma marca indelével na cultura e na construção desta nação.
É indubitável que devemos ao príncipe regente grandes obras e projetos deixados. Academia Brasileira de Belas Artes, Teatro São João, Jardim Botânico, Biblioteca Nacional, Banco do Brasil, importantes escolas e liceus, festividade carnavalesca... São apenas algumas das grandes heranças a se citar. Tais heranças são tão ovacionadas por uma grande parte dos brasileiros que os fazem chegar à conclusão de que essa vinda da Corte Portuguesa fora a melhor coisa que acontecera à admnistração do Brasil desde o seu “descobrimento”.
Porém, não encontramos todo esse encômio sobre a vinda do regente no discurso de todos os brasileiros, digo, todo esse “beija-mão” não é algo a se generalizar. Há uma grande parte da população brasileira, incluindo-se vários historiadores, que não vêem tanta bondade e heroísmo assim na figura do regente. Eu, inclusive, me identifico com essa "massa de oposição". Penso que, apesar de ter contribuído para o Rio de Janeiro em vários aspectos, nos deixando um legado extraordináro, D. João o fizera não por simples simpatia à colônia, e sim pelo maior conchego da própria corte portuguesa que, agora, se instalara naquelas terras, ou seja, nada disso se deu por um caráter benevolente de D. João para com a colônia, e sim como consequência das tentativas de melhorar a acomodação da própria Corte Portuguesa. Podemos dar, como exemplo disso, o primeiro ato de D. João ao chegar ao Brasil, que fora a abertura dos portos às nações amigas (entenda-se Inglaterra), que, por sua vez, ajudou muito no desenvolvimento do país. Todavia isso só fora realizado devido a exigência feita pela própria Inglaterra em troca da escolta da Corte Portuguesa ao Brasil, ou seja, por puro proveito particular português.
D. João não apenas seguiu suas aspirações. Após sua volta para Portugal, nossa economia se viu completamente abalada, devido ao fato de o príncipe regente ter “limpado” os cofres do Banco do Brasil, deixando o país em sérias dificuldades, às vésperas de sua independência, o que comprova o total desmazelo de D. João para com o Brasil.
Uma pergunta crucial sobreve em nossa mente: “Por que então essa vinda da família real, mesmo sendo parcialmente negativa, é tão bem vista pelos olhos do brasileiro?”. Uma pergunta intrigante, porém com uma resposta bem simplória. O que acontece é que os meios de comunicação omitem os aspectos maléficos da vinda portuguesa, enfatizando apenas os grandes legados presentes nos dias atuais, assim tornando o ano de 1808 uma data ilusoriamente celebrativa.

Finalmente, podemos inferir que a vinda da Corte Portuguesa ao Brasil é um assunto bem polêmico e que pode vir a trazer inúmeras interpretações e divergências de opiniões. Todavia, uma coisa é certa e comum a todos os pensadores: o ano de 1808 dimanou em mudanças que, com certeza, têm seus reflexos presentes, ainda, nos dias de hoje. Sejam elas positivas, sejam negativas. E, mesmo que não seja algo crucial para nossa sociedade atual, a presença portuguesa no país é um assunto que vai continuar a ser discutido pelos próximos 100, ou quem sabe, até 200 anos.

24/02/2008

Relato de um Miserável












Me chamo Jahari e pretendo relatar aqui a vocês um pouco da minha deplorável vida, ou existência.

Meus pais morreram em uma invasão à aldeia em que vivíamos quando eu tinha apenas 6 anos. Tenho infelizes lembranças daquele acontecido. Lembro-me dos meus pais gritando, berrando, urrando, suplicando por piedade, fato que se sucedera por um estrondo de tiro. Eu ficara ali, estático, naquele cubículo onde meus pais haviam me aconselhado esconder. Observara àquilo com um ar intrigante e inquieto, tentando entender o que estava acontecendo, pois naquela época não tinha maturidade o suficiente para entender o que, de fato, significava a morte. Não tinha maturidade o suficiente para compreender que, a partir daquele momento, nunca mais os veria novamente.
Aqueles gritos atormentam minha mente a todo instante até os dias atuais.

Hoje completo 14 anos. Mas e daí? Quem se importa? Quem ao menos sabe disso? Bem queria ganhar um pão de presente. Mas não tenho amigos a quem posso confiar tal pedido. E mesmo se tivesse, não creio que se dariam ao trabalho de me arrumar algo tão valioso.
Até tento evitar de me lembrar de comida, ainda mais hoje que estou faminto, pois, sempre que o faço, meus olhos se enchem d'água e minha boca seca automaticamente dá-se lugar a uma acelerada salivação.
Faz pouco mais de quatro dias que não como nada. Juro que, neste instante, seria capaz de comer até carne humana.
Além da fome, o cansaço também me domina, pois há muito tempo sigo essa minha caminhada sem rumo sob o efeito desse maldito sol escaldante.
Paro para descansar sempre quando a noite chega. Deito no chão e tento dormir, mas meu estômago ronca tão alto que não me permite fazê-lo muito bem.
A jornada prossegue. O forte bodum que exalava do meu corpo começa a ficar insuportável até mesmo para mim. Não consigo nem me lembrar de quando fora a última vez que tomara um banho decente.
A água do meu cantil improvisado está acabando. A última vez que o reabastecera tinha sido na última aldeia que encontrara há exatos três dias. Infelizmente, a água, não tão pura, fora a única coisa que puderam me oferecer. Aquele povo, assim como eu, era completamente miserável. Optei por continuar minha jornada em busca de um lugar melhor.

Pode tudo isso até soar exagero de minha parte, mas meu estado de pobreza é realmente crítico, lamentável, e, sinceramente, não sei até quando conseguirei sobreviver. Minha desgraçada realidade se resume em uma nua e crua miséria. Vivo apenas alimentado por minhas expectativas e esperanças.
Não consigo imaginar a catástrofe que fizera para ter sido tão castigado assim. Não consigo achar um porquê para tudo isso estar acontecendo comigo. Não consigo entender por que EU fora escolhido e predestinado a sofrer tanto durante TODA minha existência. Me pergunto a todo momento: Por que EU?
E, pode nem todo mundo concordar, mas tudo isso sempre me põe a refletir, questionar e duvidar sobre a existência de um Deus.
São várias perguntas sobre minha existência em si que definitivamente me intrigam. Minha mente está sempre em constante trabalho, apesar de meu lastimável estado físico não deixar transparecer isso.
Às vezes prefiria não ter nem nascido. Já pensei várias vezes em, simplesmente, desistir de continuar lutando, mas, apesar de tudo, tenho bastante fé de que, em breve, encontrarei uma pequena aldeia que tenha condição de me acolher, de me fornecer qualquer coisa conceituada comestível.
Apesar de toda miséria, fome e carência de lar, família e amigos, ainda vivo, mas o faço com a plena consciência de que meu grande objetivo vital é, simplesmente... sobreviver.
Espero que, no mundo afora, quem tem a oportunidade de fazer isso intensamente, que o faça! E que se alegre por ter tudo que tem, porque existem pessoas, assim como eu, que não têm absolutamente nada.
Mais do que uma dica, isso é um apelo.

17/02/2008

A Morte

Apenas um conto amador, pra tentar manter o blog atualizado ;)


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Respiração ofegante. Uma tentativa de grito, mas sem sucesso. O medo era tão intenso que, por mais que forçasse suas cordas vocais, parecia impossível de se reproduzir algum som.
Corria desesperadamente com muita dificuldade, sem algum rumo propriamente dito. Suas pernas pareciam não obedecer aos seus comandos. Tendiam a ficar estáticas. Paralisadas. Imóveis.
Era madrugada. Passava-se das 2 horas. Aquela vila parecia estar mais sinistra e macabra. Procurava alguém a quem pudesse pedir por ajuda, mas tudo parecia estar completamente deserto. Não se ouvia nada, nenhum ruído, exceto o forte pisotear de seus pés sobre o chão.
Seu sangue pingava pela calçada enquanto corria, denunciando seu trajeto.

Clara era uma menina linda, de cabelos negros, olhos verdes que deixavam transparecer toda sua ambição. Tinha a saia como seu traje usual. Típica menina que atraía os olhares masculinos ao passar. Ela tinha ciência de sua sensualidade, e abusava disso. Achava tudo aquilo o máximo.
Mas em que isso adiantava? Ia morrer em poucos minutos. E sua beleza de nada seria útil. Ao contrário, ia morrer por causa dela.

Seu ritmo estava diminuindo. Seus passos já não eram tão largos. Sua cor já não era tão parda.
Seu coração batia impetuosamente, parecia querer saltar pra fora de seu peito. Sua pulsação estava demasiadamente acelerada. Sentia que estava morrendo aos poucos.
Aquela situação a fazia refletir sobre tudo que vivera até então. De tudo que perderia com a morte. Definitivamente não passara pela sua cabeça que, ao sair de sua casa naquela noite, poderia ser vítima de sadismo sexual.
Piscava os olhos a todo instante, na esperança e com a expectativa de aquilo tudo não passar de um terrível pesadelo. Seu pior pesadelo.
Mas infelizmente aquela era a cruel realidade em que se encontrava.
Clara pensava em desistir a todo momento, já que seu peso, por menor que seja, começara a significar muito para suas pernas já desgastadas. Mas algo intrínseco a forçava a continuar lutando pela vida.

A distância entre ela e o estuprador diminuía cada vez mais.
Ela olhava para trás a cada segundo. Sentia seu sangue congelar ao ver um leve sorriso estampado no rosto tenebroso e malevolente de seu agressor.
Ele corria atrás de Clara, mas parecia não ter a intenção de querer alcançá-la. Parecia sentir um prazer imenso em vê-la sofrer. Parecia sentir um prazer imenso ao ver sua indescritível expressão facial de desespero.

Clara, enfim, fora percebendo que o estado físico e emocional em que se encontrava não era nada apto a competir com o estuprador sádico que corria atrás dela.
Apesar do imenso amor à vida, resolvera entregar os pontos. Ela simplesmente, num ato de desistência, parou de correr bruscamente. Surpreendendo, inclusive, o sujeito que a perseguia com uma enorme sede de seu corpo. Ela começara a soar frio, seu coração batia mais forte. Estava ferida demais pra continuar. O agressor parou de correr também. Ia se aproximando.
Um filme de flashbacks de sua vida passava por sua cabeça. Sua vida estava com os minutos contados. Toda sua mente estava voltada para esse único fato. A morte, de fato, estava próxima, a julgar pela forma brutal que ele a golpeara inicialmente, antes de se dar início a toda essa perseguição. Tinha a certeza de que aquele homem a estupraria e a mataria em seguida, ou inverteria os processos na hipótese de se tratar de um necrófilo. Enfim, isso não importava, pois, de qualquer forma, estava predestinada a morrer naquela fria madrugada. Ela ia, finalmente, descobrir os mistérios que a vida esconde e que só a morte é capaz de nos revelar.

O estuprador sádico finalmente a alcança. Começa a despí-la violentamente. Ia, finalmente, concluir o que deixara a terminar minutos atrás, antes de deixá-la escapar em um momento de falha.
Clara permanece imóvel, dopada por seus pensamentos. Ela tinha, definitivamente, desistido da vida. Felizmente, não conseguia sentir mais dor alguma. A dor das facadas que a golpeava era desprezível se comparada com a dor da morte propriamente dita. O estado de ansiedade predominava. Ela estava excessivamente preocupada com a possibilidade de não haver uma vida após a morte, fato que ela acreditava cegamente, mas que agora, já não tinha mais a certeza de nada.