17/02/2008

A Morte

Apenas um conto amador, pra tentar manter o blog atualizado ;)


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Respiração ofegante. Uma tentativa de grito, mas sem sucesso. O medo era tão intenso que, por mais que forçasse suas cordas vocais, parecia impossível de se reproduzir algum som.
Corria desesperadamente com muita dificuldade, sem algum rumo propriamente dito. Suas pernas pareciam não obedecer aos seus comandos. Tendiam a ficar estáticas. Paralisadas. Imóveis.
Era madrugada. Passava-se das 2 horas. Aquela vila parecia estar mais sinistra e macabra. Procurava alguém a quem pudesse pedir por ajuda, mas tudo parecia estar completamente deserto. Não se ouvia nada, nenhum ruído, exceto o forte pisotear de seus pés sobre o chão.
Seu sangue pingava pela calçada enquanto corria, denunciando seu trajeto.

Clara era uma menina linda, de cabelos negros, olhos verdes que deixavam transparecer toda sua ambição. Tinha a saia como seu traje usual. Típica menina que atraía os olhares masculinos ao passar. Ela tinha ciência de sua sensualidade, e abusava disso. Achava tudo aquilo o máximo.
Mas em que isso adiantava? Ia morrer em poucos minutos. E sua beleza de nada seria útil. Ao contrário, ia morrer por causa dela.

Seu ritmo estava diminuindo. Seus passos já não eram tão largos. Sua cor já não era tão parda.
Seu coração batia impetuosamente, parecia querer saltar pra fora de seu peito. Sua pulsação estava demasiadamente acelerada. Sentia que estava morrendo aos poucos.
Aquela situação a fazia refletir sobre tudo que vivera até então. De tudo que perderia com a morte. Definitivamente não passara pela sua cabeça que, ao sair de sua casa naquela noite, poderia ser vítima de sadismo sexual.
Piscava os olhos a todo instante, na esperança e com a expectativa de aquilo tudo não passar de um terrível pesadelo. Seu pior pesadelo.
Mas infelizmente aquela era a cruel realidade em que se encontrava.
Clara pensava em desistir a todo momento, já que seu peso, por menor que seja, começara a significar muito para suas pernas já desgastadas. Mas algo intrínseco a forçava a continuar lutando pela vida.

A distância entre ela e o estuprador diminuía cada vez mais.
Ela olhava para trás a cada segundo. Sentia seu sangue congelar ao ver um leve sorriso estampado no rosto tenebroso e malevolente de seu agressor.
Ele corria atrás de Clara, mas parecia não ter a intenção de querer alcançá-la. Parecia sentir um prazer imenso em vê-la sofrer. Parecia sentir um prazer imenso ao ver sua indescritível expressão facial de desespero.

Clara, enfim, fora percebendo que o estado físico e emocional em que se encontrava não era nada apto a competir com o estuprador sádico que corria atrás dela.
Apesar do imenso amor à vida, resolvera entregar os pontos. Ela simplesmente, num ato de desistência, parou de correr bruscamente. Surpreendendo, inclusive, o sujeito que a perseguia com uma enorme sede de seu corpo. Ela começara a soar frio, seu coração batia mais forte. Estava ferida demais pra continuar. O agressor parou de correr também. Ia se aproximando.
Um filme de flashbacks de sua vida passava por sua cabeça. Sua vida estava com os minutos contados. Toda sua mente estava voltada para esse único fato. A morte, de fato, estava próxima, a julgar pela forma brutal que ele a golpeara inicialmente, antes de se dar início a toda essa perseguição. Tinha a certeza de que aquele homem a estupraria e a mataria em seguida, ou inverteria os processos na hipótese de se tratar de um necrófilo. Enfim, isso não importava, pois, de qualquer forma, estava predestinada a morrer naquela fria madrugada. Ela ia, finalmente, descobrir os mistérios que a vida esconde e que só a morte é capaz de nos revelar.

O estuprador sádico finalmente a alcança. Começa a despí-la violentamente. Ia, finalmente, concluir o que deixara a terminar minutos atrás, antes de deixá-la escapar em um momento de falha.
Clara permanece imóvel, dopada por seus pensamentos. Ela tinha, definitivamente, desistido da vida. Felizmente, não conseguia sentir mais dor alguma. A dor das facadas que a golpeava era desprezível se comparada com a dor da morte propriamente dita. O estado de ansiedade predominava. Ela estava excessivamente preocupada com a possibilidade de não haver uma vida após a morte, fato que ela acreditava cegamente, mas que agora, já não tinha mais a certeza de nada.

3 comentários:

Daniela Dias Ortega disse...

Extremamente delicado em suas emoções.
Sensível, singelo.
~ Descrições impecáveis!
Me traz nuances de capítulo de livro.
Um suspense muito bem criado.
Os ruidos, o silêncio, o vento gelado... a escuridão, o desespero, a respiração, os pensamentos em frações de segundos.
Muito sábio.
Mr.Stephen King! :]
e tudo isso com um tema totalmente realista, nada fantasioso. O que enriqueceu ainda mais o conteúdo e a estrutura.

Gostei muito.

lukels disse...

Gostei primo, de verdade.

Não minto que este estilo de contos não me atrai mais, mas, ficou muito bom. Parabéns!

Anônimo disse...

Priimo
d onde vc tira tanta inspiração!?

(c foi vc mermo q disse lalala)

aeaheuhaeuhea


ta lindo priimoo

parabens

sempre que tiver mais

manda ta?? =D

bjaooo
te amoo