11/04/2008

Pessoas

Há uns dias venho evitando as pessoas, caindo no clichê de que são (realmente) deveras cansativas. E esvaio-me na hipótese de uma vida onde exista eu. Eu sendo minha companhia, minha melhor companhia. Meu amigo. Meu amor. Caio na realidade e encaro que não é possível viver só. Até que é possível, tendo em vista a sanidade. Ou a falta de sanidade. Sempre no meio de devaneios e indagações. Gostaria de tratar a vida como ela parece querer me tratar. Não necessariamente do jeito que eu realmente aprecio, mas nem sempre (leia-se: quase nunca) conseguimos tudo que queremos. Apesar de que, contraditoriamente, consigo bastante do que eu quero. Por vezes não da maneira que eu quero, mas ainda assim o fato em si. E creio que seja uma realidade comum a tantas pessoas, porque não me vejo com nenhum aspecto que me faça ser ou me sentir melhor do que alguém para estar obtendo regalias. E claro, caindo sempre num paradoxo imensurável, retorno a dizer o quanto evito as pessoas, mas, ao mesmo tempo, as quero. Não as pessoas que nada me acrescentam à vida. Quero pessoas que me ajudem a cada dia escrever um capítulo a mais no livro da vida. Como o ditado diz, a vida é um livro em branco, escrito à caneta, sem borracha ou corretivo. E ainda analogicamente falando, escrever capítulos grandiosos, com instigantes histórias, com um conteúdo pragmático e voraz, não deixando de ser, por vezes, inócuo e insensível, porque nem sempre de bons sentimentos são feitos os melhores momentos da vida. E eu, por experiência, digo: são tantas as vezes que capítulos na vida são finalizados (com um final bem legal) por pessoas que você jamais imaginara que dariam aquele quê à história. Pessoas evitadas por outros, aceitas por vocês. Pessoas que nada acrescentam a outros, mas acrescentam à você. Pessoas que eu evito, pessoas que eu procuro. Pessoas que eu confio. Pessoas. Sempre nesse meu dilema intrinsecamente pessoal e singelamente único. Pessoas.

3 comentários:

Marcelo Leite disse...

vc escreve bem!
blog bem organizado
abraços
se quizer, apareça

Daniela Dias Ortega disse...

Primo! Mantendo seu 'estilo' de escrever. Não sei dizer como é, mas sei.
;D

Muito bom.
"Eu sendo minha companhia, minha melhor companhia. Meu amigo. Meu amor. Caio na realidade e encaro que não é possível viver só."
Qndo vc disse que nossas conversas tinham te inspirado não pensei que fosse tanto.

Grande Abraço.
Continuo te admirando mais e mais.

Luara Quaresma disse...

e eu pensei que só eu me sentia assim !