22/02/2009

As Relações Sociais dos Dias Atuais

Estereótipos e preconceitos... Eis a constituição básica da sociedade. E assim tem se mantido. Sem perceber, ou propositadamente, prejulgamos o outro a todo momento. Vivemos hoje em uma época em que até mesmo as amizades são “selecionadas” pela influência social do indivíduo. As relações humanas têm sido alvo de um jogo de ambição e interesse enrustidos.
Conforme o tempo passa, mais evidente se torna o lado negro do capitalismo que, por sua vez, é o principal responsável pelas bruscas mudanças que a sociedade tem passado, se comparado a primórdios. Com um caráter cada vez mais competitivo, o capitalismo molda, hoje em dia, uma sociedade de indíviduos com ideais cada vez mais egoístas: ser bem sucedido a qualquer custo. E é justamente este tipo de pensamento que faz com que a parte pobre e de pouco influência social no sistema, seja excluída e “invisibilizada” cada vez mais pelas pessoas.
Uma boa exemplificação real que confirma minha teoria foi o caso do psicólogo Fernando Braga da Costa que, a fim de desenvolver sua tese de mestrado, vestira um uniforme de gari e trabalhou varrendo as ruas da USP e, como resultado, notou-se a total exclusão. O que, logo nos leva a perceber a troca das relações afetuosas pelas relações interesseiras, exercidas hoje em dia pela sociedade. Pouco tem importado as características individuais do ser humano. A renda se tornou as virtudes de outrora. Não mais importa quem somos, e sim, o que temos.
O que, infelizmente, todos se esquecem, é que somos todos iguais, independente de lei. Temos todos a mesma origem. Temos todos as mesmas incertezas acerca da vida propriamente dita e, mais que isso, todos vamos morrer um dia, sem distinção de cargo ou classe social.

07/02/2009

Pré-escrita

Pra que usar-se o termo "Pré-História" pra designar o período correspondente a fatos decorrentes anteriores à escrita? Dizer pré-história significa dizer "anterior à historia". Mas, poxa, o que acontece em tal período também é história (!) e usar o prefixo "pré" significa desconsiderar tudo aquilo que aconteceu naquele período; Significa desclassificar tais fatos como parte da história. O que é, de fato, algo bastante errôneo e etnocêntrico.
E, além do mais, como todos nós sabemos, não existe uma anterioridade à história. O que torna, mais uma vez, bastante equivocado o uso do termo.
Então, insisto mais uma vez, pra que usar-se o termo Pré-História?

30/01/2009

"Nova História Crítica" banida das escolas.

Achei que censura fosse algo da ditadura e que a ditadura tinha acabado, mas sabemos que para manter o rebanho pastando temos que vigiá-los para que eles não pulem a cerca e para que não conversem com o rebanho vizinho. Acontece que o livro "Nova História Crítica" de Mário Schmidt foi censurado pelo governo e não será mais usado nas escolas públicas. O livro já havia passado pelo crivo dos "censores" e estava já sendo utilizado há algum tempo, mas agora ele passou por uma nova análise que o rejeitou. O livro, dizem, contém informações ideológicas, como se a mídia não nos passasse uma ideologia burguesa todo dia com o respaldo do governo. Algumas das ideologias lidas no livro é a de que Mao Tsé-Tung foi um grande estadista, que no capitalismo é a burguesia quem toma as decisões buscando lucro e no marxismo tudo é feito para agradar a população. Mas os censores dizem que esse não foi o verdadeiro motivo de banir o livro mas de que algumas informações encontram-se desatualizadas. Os pais de alguns alunos dizem que o livro é bom, que ele não impõe nehuma ideologia, pelo contrário, que ele é crítico e faz as crianças pensarem já que muitos desses pais dizem que seus filhos depois de terem adotado esse livro chegavam em casa fazendo perguntas, o que não acontecia com outras publicações. Agora falando sobre ideologias falsas e impostas. O que são as novelas em que aparecem apenas ricos vivendo em Copacabana, empresários que vão a prostíbulos, mulheres que fazem de tudo para permanecerem belas com suas cirurgias plásticas, de vez em quando aparecem pobres do tipo "é pobre mas é limpinho", empregados possuem uma cor mais escura e favelados são bandidos. Qual a ideologia de Malhação passada para os jovens? Escolas particulares que se parecem Shopping Centers, somente brancos com excessão de um ou outro negro, os pobres sempre se fudendo nas intrigas, roupas fúteis e caras... agora eu me pergunto, isso é real no Brasil? A maioria das escolas e pessoas são assim? Claro que não, eles estão pouco se lixando para o resto, vivem em seu próprio mundo e mostram isso como se fosse algo normal a ser alcançado, todos deveríamos estar lá, com carros importados e mulheres vulgares que se igualam a prostitutas.
Eu mesmo estudei com essa série de livros da 5ª a 8ª série e nunca mais acheis outros livros de História que fossem tão bons quanto esses.
Mas no Brasil é assim que funciona: Eles não querem que você saiba criticar... E depois ainda perguntam: "Por que que o Brasil não vai pra frente?"

Guilherme Oliveira Quintino

25/01/2009

Lavagem Cerebral. A gente vê por aqui.

Propaganda da Rede Globo na Revista Veja ed. 2086 ano 41 nº45 / 12/11/08:

"Através de suas campanhas e do merchandising social nas novelas, a Globo leva temas relevantes para a sociedade, estimulando a reflexão e o debate de interesse público. A gente trabalha para oferecer a melhor programação para os brasileiros. E para ajudar a fazer um Brasil cada vez melhor. Esta qualidade a mais se chama Valor Público."

Você já percebeu que a Rede Globo sabe muito bem como fazer a cabeça das pessoas? Se não, você é apenas mais um dos milhões de brasileiros que ainda acham que recebem a verdade todos os dias.
- Por que será que praticamente ninguém duvida das palavras de um jornalista?
- Será que a globo trabalha para oferecer a melhor programação para os brasileiros?

Infelizmente a população em geral nem faz noção do que é uma programação de qualidade. Além disso, é incrível como ninguém percebe o quanto a programação da Globo é pobre e monótona:

1º - Jornais que falam da mesma coisa a semana toda, e quando acham casos polêmicos como: Caso Isabela; Seqüestro de Eloá; Acidentes de Aviões; Igreja Renascer... falam disso quase um mês até o povo ficar paranóico.

2º - 5 Novelas por dia que só falam de desgraças: Drogas, Gravidez Precoce, Alcoolismo, Sexo, etc. (Novela das 14:00h/Malhação/Novela das 18:00h/Novela das 19:00h e das 21:00h).

3º - No dia que resolvem passar uma minissérie interessante, que apresenta a verdadeira qualidade, lançam um Big Brother Brasil pra fazer a minissérie passar tarde da noite.

4º - A respeito dos filmes da até vergonha da falar, quando resolvem passar um “inédito”, pode ter certeza que é um filme de no mínimo 3 anos atrás. (As produtoras vendem esses filmes as emissoras dos países subdesenvolvidos pois as vendas nos países de 1º mundo já foram encerradas).

5º - E o resto da programação é completada com de desenhos animados repetidos, programas de comédia e de auditório onde poucos são de qualidade.

Bem, se você respondeu no início desse texto que nunca tinha percebido a falta de qualidade da TV aberta no Brasil... É hora de abrir o olho e passar a questionar tudo o que você vê. Não se esqueça de que uma média de 90% dos políticos Brasileiros são donos de alguma empresa relacionada à Mídia (Revistas/Jornais/TV/Rádio, etc.), e mesmo isso sendo proibido por lei, ninguém obedece e nem é punido.
Enfim, procure confirmar as informações recebidas em outras fontes de confiança. Não acredite em tudo que você vê, pois uma empresa do tamanho da Globo é capaz de fazer a cabeça de uma nação inteira.
A Globo tem plena capacidade de ter uma programação de qualidade, que transmita conhecimento, valores, informações sensatas, transimitindo nossa cultura. Mas a realidade do nosso país é essa... o que eles realmente não querem é que a população pergunte, duvide e reflita sobre os problemas da sociedade, sobre a corrupção, política e sobre tudo o que está errado. A TV é apenas mais um item dentro de uma infinidade de coisas que mantém os pobres sempre pobres, e os ricos cada vez mais ricos.
A pior doença é a falta de informação. Fique esperto.


Guilherme Oliveira Quintino

14/12/2008

ENSAIO II

Para Lya Luft

É tudo sobre essa linha imaginária, sobre essa barreira invisível. Existe algo que envolve possibilidades, disse ele a ela esperando uma resposta, que fosse corporal, ainda pensou. Ela olhou para os lados bem devagar, olhou para o prato branco sujo e então para ele. Seus olhos, uma verdadeira mistura de curiosidade e compaixão, ansiavam por uma palavra que aliviasse a tensão do momento. Ela sabia que era muito difícil para ele. Então, finalmente propôs que já é hora de deixá-los, não acha?, que é hora de sair de lá e então entre o momento deixava a taça de vinho sobre a mesa e o instante em que ouvia as últimas palavras saírem da boca dela, resolve pegar em suas mãos e dizer bem firme que não adianta deixá-los, que ir pra longe não adianta, porque não existia lugar no mundo que fizesse a distância dele com o problema aumentar. Fez uma pausa e olhou para ela, ainda segurando firme suas mãos. Percebia, enquanto fitava aqueles belos olhos, que uma lágrima deles caia, borrando o lápis e a maquiagem de seu feito rosto. Enquanto passava o dedo enxugando a lágrima, ele terminava sua sentença dizendo que a distância com que ele lida é a distância interna, essa confusão gigante que a cada dia verificava se encontrar. Soltando suas mãos, agora tomando mais um pouco do vinho, ele diz muito obrigado e ela diz que não fez nada e que gostaria muito de ter tentado mais e não ter aborrecido-o e mais uma vez ele a interrompe dizendo que o problema não era com ela e sim com ele. Ela sorri, com uma certa malícia fulminante, com uma leve dissimulação no olhar. Talvez você dê importância demais ao que não mereça, disse ela de uma vez não tirando os olhos dele. E talvez você nunca entenda sobre a questão que batalho no meu íntimo, até mesmo porque ela não é uma coisa simples. A complexidade existe e infelizmente não é fácil explicar, preciso ir, disse já se levantando e deixando o dinheiro da conta, a gente se fala por aí, disse pegando o casaco. Já no carro, dirigindo a esmo naquela noite nublada, abriu os vidros e deixou sentir o vento nos cabelos e se permitiu o fechar aos olhos. Sua pior ação, viria a constatar. Ao abrí-los, nada via além de dois grandes holofotes imensos uma luz amarelada que se tornava branca a silhueta da morte. Tudo o que sentiu foi um pequeno corte na mão direita. Nada mais. E não precisaria mais preocupar-se com barreiras imaginárias ou linhas invisíveis. Afinal, não mais precisaria conviver com possibilidades. Ultrapassara tudo, deixando para trás o lógico e o emocional. Se fora; simples e rápido com os relâmpagos daquela que era uma noite nublada.

[ Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down ]
Elephant Gun - Beirut

28/11/2008

ENTRELINHAS

Escrito em 08/09/2008

Para

Caio Fernando Abreu
Os Beatles, todos

Queria poder pegar todas aquelas idéias-maravilhosas-que-mais-ninguém-teve-mas-eu-tive-e-esvairam-se de volta. Sabe, tenho certeza de que se reúnem em algum lugar secreto, mágico, como os que Jostein Gaarder cria em suas fantasiosas terras peculiares. E não as queria para poder fazer uso delas, apenas para mantê-las juntamente com as demais que consigo prender. Queria poder pegar as palavras mal-ditas, poder pegar os nãos recebidos, os descasos a mim dados e colocar tudo dentro de uma caixa. E deixar lá, num canto qualquer. Queria pegar os sentimentos bons, as alegrias, a euforia, colocar em vidros vazios e dar à Lucy. A Lucy, aquela menina que corre e deixa tantos rastros coloridos, sabe? Ou então ao Jude. Seria interessante doar um pouco do conteúdo desses vidros a esse menino tão quieto. Eu garanto que usufruindo desses sentimentos ele daria vazão a louca folia de cores. Seriam verdes, vermelhos, azuis, amarelos alarajandos amarronzados anilados cores cores azul vermelho para todos os lados para todos os jeitos: toda a eterna desincronia de fontes coloridas: azuis com vermelhos formando o arroxeado o azul com o amarelo formando o esverdeado. E dessa loucura de cores prover aos dois, agora então companheiros, à insanidade. Pegá-los e colocar numa caixa, bem diminutos. Numa insaciável sede por cores e por este megalomaníaco interesse em diamantes. Sabe que uma vez Lucy foi cheirar pó mas a engaram e a venderam pó de vidro? A pobre garota loura de olhos bem azuis cintilantes sangrou quase até a morte. Mas passou. Quero sair deste meu lugar secreto. Quero libertar todas estas idéias que mantive presas por tanto tempo. Presas na minha mente, coitadas. Debatendo-se dias e noites e tardes ensolaradas chuvosas quentes frias gélidas umas às outras, Me deixem sair, grita uma delas, num frenesi louco, QUERO SER REAL, implora outra. Jude e Lucy devem aproveitar seu tempo, pois dele não resta muito. Mas como eu dizia não se pode aprisionar a todos e a tudo o que se tem vontade. A algumas coisas dá-se o que chamam de liberdade, mas é um papo furado tremendo. O que é a liberdade a justiça a democracia a liberdade senão antíteses em suas essências? E todo o assunto que se vê na boca de pessoas que não valem à pena? E quem o que vale a pena? Jude e Lucy vivem cheiram choram chamam chocam, viu só como são ativos?, chulipam chuviscam chovem choram choram. Vejo gotas de Lucy e Jude caírem do céu, o tão famoso céu com diamantes. A psicodelia dá-se então instaurada: gotas de Lucy rosas amarelas azuis verdes vermelhas vermelhas muito vermelho, Jude caindo em forma de anil roxo lilás amarelo amarelo muito amarelo anil azul Jude azulado. Jude in the Sky with Diamonds, Hey Lucy, diz Jude, Hey Jude, ela responde, Lucy in the Sky with Diamonds, ele diz, e ela chora e confunde-se choro com choro e lágrimas com lágrimas e as cores se difundem numa psciodelia muito louca. Quero ir pra casa, quero ir pra casa, diz uma lágrima, uma gota, uma chuva. Lucy está em sua cama, olhando o teto, vê um coração enorme escrito Eu te amo, enquanto Jude está procurando o monstro que ouviu falar debaixo do seu armário. Lucy ama Jude, e ela lembra de ter dito isso várias vezes, várias cores : amarelos azuis vermelhos. Vários amarelos amo, vários azuis eu, vários vermelhos verdes anis te. Muito doce, muito doce. Lucy deixa a casa, a cidade. Lucy deixa Jude.

Jude vê nuances de todas as cores que acompanhava seus passos. Vê nuances entre as várias formas que saia de si mesmo. Vê nuances de seus vários eus azuis amarelos vermelhos. pretos. brancos. marrons. Jude desiste de tudo e se entrega. Hoje trabalha num hotel levando e trazendo malas, subindo, ganhando gorjetas, descendo, ganhando desaforos, humilhações. palavras mal-ditas. descasos. Dia desses foi para sua casa no meio do turno porque recebera um carregamento. From me to you, era só o que estava escrito. Jude percebeu que recebera idéias-maravilhosas-que-mais-ninguém-teve-mas-eu-tive-e-esvairam-se, postais de lugares secretos, mágicos, como os que Jostein Gaarder cria em suas fantasiosas terras peculiares, palavras mal-ditas nãos recebidos descaso: todos implorando por liberdade justiça democracia. paz. Em uns vidros bonitos havia ainda sentimentos bons alegria euforia. Concluira: recebera Lucy de volta.

20/11/2008

Sobre o curta-metragem Bastille

Sem dúvida alguma Isabel Coixet já se mostrou bastante competente na direção de brilhantes filmes, assim como na arte de fazer-nos refletir com suas obras, como nos é acometido em "minha vida sem mim". E foi com toda sua experiência, somada a ajuda dos excelentes atores Miranda Richardson, Sergio Castellitto e Leonor Watling que conseguiu, enfim, dirigir um curta-metragem genial, de aproximadamente 5 minutos, para fazer parte da estrita coletânea "Paris, te Amo". Apresento-lhes Bastille.

Sentado no mesmo restaurante em que se conheceram, nosso pensativo protagonista aguarda pela chegada de sua mulher. Não se tratava de uma comemoração romântica. Precisava, naquele dia, naquele lugar, daqui a alguns minutos, fazer uma confissão que mudaria o rumo de sua vida amorosa. Precisava anunciar a separação. Desejava viver uma vida diferente com a sua amante de longa data, Marie Christine. Uma vida oposta àquela rotineira que sua mulher lhe proporcionava. O velho casaco vermelho que o atraira quando a conhecera se tornara agora um fardo e uma simbologia do constante recomeço e da rotina. As qualidades de outrora viraram defeitos do agora. E tudo isso se convergia em uma única suposta verdade: ele não a amava mais. Enfim, é esta uma confissão que jamais fora revelada. Fora suprida por uma revelação maior e inesperada de sua mulher: a notícia de que ela portava de Leucemia em fase terminal.
Eis aqui o grande conflito da história. O fator externo que fará com que o carretel se desenrole. O que fazer? O que realmente deveria predominar nesta situação, a razão ou o coração? O marido em questão opta sabiamente pelo correto. Corta sua relação paralela com Marie Christine e resolve dedicar todo seu tempo a cuidar da enferma esposa. O que, logo nos leva a pensar que, a partir de então, levaria uma vida completamente infeliz ao lado dela. E é justamente neste ponto que o filme nos contraria e nos surpreende. Fingindo ser um marido feliz e apaixonado é que ele consegue, de fato, se reapaixonar pela sua mulher. Os defeitos de há pouco reviraram qualidades. Mas a essa altura, já era tarde demais. Quando ela morre em seus braços, ele entra em um estado de trauma terrível. O desejo vicioso de poder voltar no tempo o toma conta. Desejava ter aproveitado infinitamente mais da presença da esposa em vida. Mas não podia. Desejava nunca ter que conviver com o remorso de um dia ter tido uma amante e sequer cogitado em separar de sua mulher. Mas não podia. O velho casaco vermelho adquirira uma nova simbologia.
Um turbilhão de reflexões surgem em nossa mente durante este final. Chega a hora de nos colocarmos no lugar das personagens e vivermos o drama dos mesmos. Aliás, ficamos pasmos ao perceber como um curtíssimo filme de cerca de 6 minutos nos é capaz de proporcionar tanta ponderação... E tantas possíveis interpretações e análises psíquicas. Sugere-nos uma análise acerca do desgaste das relações amorosas; Da forma que culpamos o próximo quando o erro ou o defeito está em nós mesmos; Do grande paradigma que é o discurso de que só passamos a dar valor a certa coisa depois que a perdemos. Et cetera.
Eis um curta-metragem digníssimo de elogios, muito bem dirigido por Coixet. Quem ainda não assistiu, recomendo que o veja. Não pense que essa simples descrição ilustra toda magnitude dessa proposta de "curta tese". Pois não, o filme vai muito além disso. As imagens sugestivas são capazes de nos fazer compreender e sentir algo que palavras são insuficientes e vagas demais para descrever. Serão, sem dúvida, seis minutos muito bem aproveitados, com muita lição. Muito longe de 2 horas e meia desperdiçadas.

03/11/2008

A Política Para Thomas Hobbes - Leviatã


O que diz a filosofia sobre política? Não só política, mas sobre qualquer tema, os pensamentos variam de filosófo para filósofo. Uns a frente de seu tempo, outros descordando de um pensamento anterior.
No decorrer da história, o homem busca o convívio em sociedade, sempre havendo líderes.
Para apresentar suas propostas de como seria o Estado ideal, Hobbes primeiramente define o homem na ausência da sociedade. Em sua principal obra, "Leviatã", estão suas idéias políticas, minha fonte bibliográfica.
Hobbes viveu em uma época Absolutista, começou a estudar cedo e se dedicou a tradução de livros e a aulas que dava a filhos de nobres, usufruindo das grandes bibliotecas dessas casas.
Para Hobbes, no estado natural todos os homens são iguais, tendo direito a todas as coisas. Sendo iguais na força (física ou astúcia), os homens desejarão também, as mesmas coisas. Por isso entrarão em guerra. Somos egoístas por natureza. No estado natural a vida está em constante ameaça.
Para haver a paz, é preciso que ocorra um acordo entre as pessoas. Com isso, estaremos saindo do nosso estado de natureza, em que não há convívio social [frisando: o homem não é sociável por natureza], para fazer o acordo, depositando a confiança no próximo, pois, não é garantia de que ele seguirá o acordo.
Que acordo é esse? É o chamado pacto social. As leis naturais (seguir a paz, gratidão, cumprir os pactos, perdão, não ofender o próximo) não tem eficácia, não tem garantia de que vão funcionar porque não há alguém que obrigue a serem cumpridas, e elas devem ser cumpridas por todos.
Para acabar com a insegurança entre os homens e fazer cumprir a lei natural, é fundamental e indispensável a presença de um Estado para garantir a paz civil, defendendo o povo das invasões estrangeiras, das ofensas de uns com os outros, garantindo a segurança e a alimentação.
A única maneira de instituir o Estado é conferir toda a força e poder a um soberano, reduzindo as diversas vontades do povo em uma só. É aí que entra o pacto social, que vai designar o soberano como representante do povo, cada um se reconhecendo como autor de tudo o que o soberano fizer relacionado com a paz e segurança de todos. O povo submete suas decisões à decisão do soberano.
O soberano pode ser uma pessoa ou uma assembléia de pessoas. É representado pelo Grande Leviatã, um monstro bíblico.
O pacto é de cada homem com todos os homens, é entre os cidadãos, não entre o povo e o soberano. O Estado está fora do pacto. O soberano é o Estado.
Com o pacto os cidadãos se privam da liberdade que tinham no estado natural de fazer justiça com as próprias mãos e transferem esse direito/responsabilidade ao Estado.
Essa desigualdade entre povo e soberano será necessária para gerar a paz, sendo que na igualdade havia guerra. No estado natural todos eram iguais na força e agora com o Estado, os cidadãos serão iguais na fraqueza, pois cederam seu poder ao soberano.
O Estado será o garantidor da paz civil, está acima dos homens (súditos).
O soberano poderia se transformar em um ditador e matar todos, por exemplo? Não, pois não é do seu interesse. O soberano precisa do poder do povo, é de seu interesse que o povo esteja em boas condições. E não há o risco de o soberano fazer algo ruim para o povo, porque qualquer coisa que ele fizer será o bem, porque é o que ele quer. O soberano não deve satisfações de seus atos e nem eu terei o direito de contestá-los, pois, compactuei cedendo todo o meu poder a ele.
O que fará com que os homens saiam do estado de natureza, compactuando entre si? O medo! O que leva os homens a se formarem em sociedade não é a boa vontade, mas o medo que cada um tem do outro, o medo de morrer, porque o homem tem um instinto de conservação, ou seja, um instinto de manter sua própria vida acima de todas as coisas [lembrando que na ausência de sociedade e Estado, a vida está em constante ameaça]. Portanto, a busca pela companhia não provém do amor, mas sim para tirar algum proveito do próximo.
O pacto é tácito, pressupõe-se que todos estão de acordo.
Sobre a escolha do soberano, Hobbes não se preocupa. Mas o próximo soberano é o atual soberano quem escolhe.
Temos a impressão de que com o Estado não há liberdade, mas na prática, agora teríamos mais liberdade do que no estado natural, isto é, agora não precisaríamos ter medo dos outros, pois todos somos iguais na fraqueza.
As pessoas teriam o direito de ir contra o pacto, caso as leis o punissem? Sim. Pois quando a pessoa comete um crime, por exemplo, o Estado se volta contra ela, e como temos o instinto de conservação, faremos tudo para salvar a nossa pele.
Hoje em dia, se um criminoso fugir da cadeia, quando ele for recapturado sua pena irá aumentar? Não. Justamente porque temos o instinto de conservação. É normal o criminoso querer fugir, a falha é do Estado que o deixou escapar.
Hobbes é Absolutista? Não! A partir de Maquiavel, o Estado é apresentado de forma a não seguir um direito divino, o que há no Absolutismo. E Hobbes segue a mesma idéia, o Estado segue as exigências do pacto social. Leviatã é representado com uma espada e um cetro/cajado em cada mão, representando o poder militar e religioso, que devem seguir juntos. O soberano decide qual religião todos devem seguir juntos. O soberano decide qual religião todos devem seguir.
Outra diferença entre o Absolutismo e o pensamento de Hobbes, é que ele admite que o soberano possa ser uma aristocracia, embora prefira a monarquia, para não haver muita fragmentação de poder, que gera conflitos.
Hobbes teve que apoiar o rei para que suas idéias não fossem atacadas e tivessem público.
As idéias de Hobbes nunca foram aplicadas, mas assim como o exemplo que citei de no caso de fuga da prisão, a pena continuar de onde parou, há muito a presença dessas idéias hoje.



Agradeço ao Filósofo Professor Euclides, por me dar a melhor ajuda em filosofia que eu poderia ter.

12/10/2008

Estudantes querem voz (II)

Eis aqui uma redação feita por mim para uma avaliação escolar e cuja proposta não me lembro bem, mas girava em torno da questão dos novos movimentos estudantis. E o gênero era obrigatoriamente blog.
Quero, então, antes de mais nada, também me desculpar pelo formato clichê do gênero pedido :P


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Caros amigos, peço desculpas por ter ficado tanto tempo sem postar. O motivo muitos sabem. Estava marcando presença no manifesto na UnB. E já que estou sem outra coisa para vos falar hoje, vou comentar aqui um pouco sobre o protesto feito.
Estava eu fanfarreando desde o primeiro dia. Era uma manifestação modesta a princípio. Não apostava muitas fichas naquilo. Confesso que, de início, me aderi pela baderna. Aquela miscelânea me incitava. Mas... com o passar dos dias, com o movimento ganhando massa e, principalmente, divulgação, fui amadurecendo meus princípios ali mesmo, em meio à zorra. Nascia um sentimento forte clamando por justiça dentro de mim. Uma adrenalina revolucionária inexplicável corria em minhas veias. Me vinha à cabeça imagens do belíssimo movimento estudantil de 68, que vira antes em documentários.
É claro que as causas de outrora eram outras e mais sérias (tinham inimigo externo e causa política). Mas que culpa temos? O que importa é que estávamos ali, reivindicando nossos direitos estudantis, fazendo valer nossa voz, nosso coro. Assim como há tempos atrás. Mas deixemos esta parte para depois.
Quero, ainda, expressar aqui minha aversão àquele descarado do reitor Mullholand. Como pôde desviar tanto dinheiro?! Quase meio milhão de reais, da verba de pesquisa da universidade, para reformar sua cobertura... conta-me outra! E ainda dizem que nosso movimento cheirava à futilidade. Compartilhas da mesma opinião? Reflita só o quanto poderia ser investido na universidade com todo este dinheiro! E ainda se julgaram no direito de impor-nos uma multa de mil reais (!) por hora de ocupação, e cortar-nos água e luz. Claro, muitos desistiram por medo de se complicarem judicialmente, mas a grande resistência continuava lá. Me orgulho de ter feito parte daquilo. Era emocionamente ver aquele bando de desconhecidos entre si, unidos por um mesmo fim, com um coro de eriçar os pêlos: “Ocupa, ocupa, ocupa e resiste!”
Não pretendo alongar muito essa descrição, pois tenho receio de que isso fique grande o suficiente para não ser lido. Mas queria, antes de finalizar o post, acrescentar algumas outras palavras.
Vivemos hoje, em uma época de uma sociedade morta que, simplesmente, se acomodara à triste realidade. Violência e corrupção se tornaram coisas corriqueiras... não mais se luta por melhorias. Mais do que o afastamento do nosso reitor, acredito que este nosso movimento tenha tido um significado maior. Demos, além de tudo, um tapa na cabeça dos jovens de hoje, para que acordem e percebam que juntos, podemos fazer a diferença. Juntos podemos sim fazer com que nossas reivindicações sejam aceitas, com que nossa opinião seja escutada. Então acordemos. Não deixemos que corruptos nos omitam o destino do dinheiro público. Não permitamos que corruptos nos roubem o direito de uma educação melhor.
Quero, ainda, deixar algo bem claro. Estamos sendo chamados, ironicamente ou não, caras-lavadas. Não sou muito favorável a essa rotulação, mas chamem-nos como quiserem. Todavia saibam que jamais tivemos o propósito de sermos comparados aos históricos caras-pintadas. Até mesmo porque “em cada etapa da história, o movimento estudantil tem um papel e uma forma de se manifestar”, como diria o ex-líder estudantil e ex-ministro cassado (irônico, não?) José Dirceu.

19/07/2008

O sonhador

Um sonhador,
Um pobre sonhador.
Um dia um, outro dia outro,
Cada dia um sonho.

Vive sonhando,
Vive pensando.
Sonhando ele vive,
Pensando deseja.

Hoje ele pensa,
Amanhã ele sonha,
E mais uma vez ele vive,
Vivendo pensando.

05/06/2008

Furto Famélico

O que é uma melancia? Certamente é uma fruta de grande dimensão e de alto valor nutritivo. Mas para Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues da Rocha simplesmente fora uma alternativa encontrada para "tapear" a fome e, afinal, se manterem vivos. Assim foram, os dois, detidos pelo furto de duas melancias para seu próprio sustento.
Esse acontecimento nos põe a refletir deveras sobre o chamado furto famélico, o qual podemos definir, simplificadamente, como o furto de alimento para o próprio sustento do indivíduo.
Podemos tomar esse assunto de diversos ângulos. Diferentes pontos de vistas. Muitos acreditam que essa vertente do furto merece séria punição, tais como as demais espécies criminais. Eu, particularmente, em oposição, defendo a idéia de que o furto famélico é algo decorrente da nossa política decadente pela qual se torna cada vez mais evidente a enorme desigualdade social em nosso país. Acredito que não seja motivo para prisão. Pois se ocorrem furtos de milhares de reais debaixo do pano dentro da própria justiça e política brasileira por que é que se deve julgar aqueles que roubam comida e por pura necessidade?
No Brasil, o furto famélico tem sido alvo de polêmica e divergências entre os juizes brasileiros pois não é tido como crime. Quando se há a certeza dessa prática, a solução quase sempre é a absolvição do indivíduo pelo Princípio da Insignificância, o que não é bem aceito por alguns. E com certa razão, pois sejamos racionais. Isso é uma forma direta de incentivo à essa espécie de furto, a partir do momento em que não há punição para tal ato. Acredito que deve sim haver uma absolvição, mas claro, com condições. Afinal, furto é furto. Independente do motivo não deixa de ser ilícito. E deve ser julgado de alguma forma. Pois quem há de arcar com os prejuízos do comerciante? Não é "perdoando" delitos que adquiriremos uma sociedade digna, mas evitando que sejam cometidos.
Aposto que se tal pessoa, absurdamente faminta, explicasse sua dramática situação para o comerciante, obviamente ele não se recusaria a um pedido de alimento. Até porque não se costuma dar esmolas hoje em dia justamente devido ao fato de os pedintes “exigirem” dinheiro, o que coloca em dúvida a real situação da pessoa. Mas um pedido de comida... quem ousará recusar?
Acredito que à medida que esses furtos de comida, por mais insignificantes que sejam, saiam impunes das mesas dos juízes, maior é o incentivo para a prática. Hoje são duas melancias... e amanhã?

21/05/2008

Pensamentos do tempo

Sozinha, à noite eu penso
Nos que se foram
Nos que foram e não sabemos

No escuro eu penso
No que virá
No que perecerá

Em silêncio eu penso
E quanto mais penso
Mais certeza tenho de que sou História.